A Câmara de Comércio dos Estados Unidos e a Amcham Brasil divulgaram nota nesta quinta-feira (23) afirmando que a nova tarifa dos EUA sobre bens produzidos com trabalho forçado agrava as condições de acesso das exportações brasileiras ao mercado norte-americano.
A tarifa de 12,5%, anunciada pelo governo americano para cerca de 60 parceiros comerciais, entra em vigor nesta sexta-feira (24) e deve atingir por volta de 3 mil produtos brasileiros, equivalentes a US$ 12,5 bilhões em exportações anuais aos Estados Unidos, segundo a entidade.
Base legal e efeito acumulado
A nova cobrança foi definida a partir de uma apuração conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Segundo o governo americano, a investigação concluiu que os países listados, entre eles o Brasil, adotam práticas comerciais desleais ao não proibir nem fiscalizar adequadamente a entrada de mercadorias fabricadas com trabalho forçado.
O argumento é semelhante ao usado pelos EUA para justificar a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros que passou a valer nesta quarta-feira (22). Com a soma das duas medidas, parte das exportações do Brasil pode enfrentar uma sobretaxa total de 37,5% a partir desta sexta.
De acordo com a Amcham, a tarifa adicional de 12,5% foi confirmada horas antes pelo governo americano como parte de um pacote que abrange cerca de 60 parceiros comerciais dos Estados Unidos.
Impacto para empresas e resposta do Brasil
Para a Câmara de Comércio dos EUA e a Amcham, o cenário compromete a competitividade das exportações brasileiras e pode elevar custos tanto para empresas quanto para consumidores norte-americanos. As entidades alertam ainda para o risco de fragilizar cadeias produtivas integradas entre os dois países e afetar investimentos bilaterais.
A escalada tarifária já provocou reação do governo brasileiro, que anunciou que vai acionar imediatamente a Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos em resposta à nova cobrança.
