Política

EUA citam ‘Lista Suja’ e propõem tarifa extra de 12,5% ao Brasil

Relatório americano usa pecuária brasileira como estudo de caso de trabalho forçado e ameaça nova sobretaxa
Disputa sobre trabalho forçado pecuária brasileira: Trump pressiona Lula com tarifas dos EUA

O governo americano propôs tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, alegando que o Brasil não proibiu importações de bens produzidos com trabalho forçado.

O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) divulgou relatório nesta terça-feira (3) incluindo o Brasil entre 59 países — mais a União Europeia — na mira de novas sobretaxas comerciais.

No documento de 98 páginas, o Brasil é citado 19 vezes. O texto aponta que pesquisas independentes colocam pecuaristas brasileiros na Lista Suja do Ministério do Trabalho — cadastro público de empregadores flagrados em condição análoga à escravidão.

Pecuária na mira americana

“Está bem documentado que o trabalho forçado é utilizado na produção de gado no Brasil”, afirma o relatório do USTR. O texto cita ainda a lista TVPRA — documento americano sobre produtos fabricados com trabalho infantil ou forçado — que já sinalizava o problema na pecuária nacional.

Segundo o levantamento, as exportações brasileiras de carne bovina congelada para os países investigados quase dobraram entre 2015 e 2025, enquanto as americanas cresceram apenas 21% no mesmo período. Brasil e EUA competem diretamente pelo mercado chinês nesse segmento.

“Embora nem todas as importações chinesas de carne bovina congelada do Brasil sejam necessariamente produzidas com trabalho forçado, a prevalência dessa prática na produção pecuária brasileira sugere fortemente que ao menos parte dessas importações foi produzida total ou parcialmente com trabalho forçado”, diz o texto americano.

Tarifas em cascata

O relatório sobre trabalho forçado chegou um dia depois de o mesmo USTR encerrar uma investigação separada e propor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros — segunda ação americana em menos de 24 horas contra o comércio do país. As propostas ainda estão em fase de consulta pública; audiência no USTR está marcada para 7 de julho.

Outras seis economias — Canadá, União Europeia, Equador, México, Paquistão e Indonésia — receberão sobretaxa menor, de 10%, por possuírem mecanismos de combate ao trabalho forçado, mas sem fiscalização efetiva, segundo a avaliação americana.

Autoridades e especialistas apontam que os EUA buscam novas formas de sustentar o tarifaço de Trump após derrota na Suprema Corte, em fevereiro, que derrubou o tarifaço inicial. A tarifa de 10% imposta com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974 tinha validade de apenas 150 dias.

Embate político no Brasil

O anúncio virou munição no confronto entre Lula e os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. Horas antes de o USTR divulgar o novo relatório, Flávio Bolsonaro afirmava ter pedido pessoalmente a Trump que poupasse o Brasil de novas tarifas durante visita à Casa Branca — pedido que, ao que tudo indica, não surtiu efeito.

Trump publicou foto com Flávio e Eduardo Bolsonaro no Salão Oval, chamando o senador de “jovem inteligente que ama muito o seu país”. No mesmo dia, Flávio enviou carta ao secretário de Estado Marco Rubio pedindo que Washington não imponha novas sanções ao Brasil, alertando para um “grave processo de deterioração fiscal e econômica” no país.

Lula chamou os filhos do ex-presidente de “vendilhões e traidores da pátria”, acusando-os de pedir a um país estrangeiro que se intrometesse em decisões brasileiras. O presidente atribuiu o avanço das investigações americanas à atuação dos Bolsonaro em Washington.

O contexto bilateral ficou ainda mais tenso na semana passada: Trump anunciou a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas dois dias após a visita de Flávio ao Salão Oval. “Nós não aceitamos ser tratados como moleques. Não aceitamos ser tratados como uma republiqueta”, reagiu Lula.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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