Política

STJ marca julgamento do ministro Buzzi por assédio sexual

Sessão fechada ao público vai decidir se ministro afastado sofre aposentadoria compulsória ou perda do cargo
Julgamento do ministro Buzzi por assédio sexual no STJ, com o tribunal ao fundo em sessão reservada.

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Herman Benjamin, marcou para o dia 6 de agosto, às 9h, o julgamento do ministro afastado Marco Buzzi, acusado de assédio sexual contra duas mulheres.

A sessão será fechada ao público e ocorrerá de forma presencial no plenário do STJ, classificada pela Corte como de interesse institucional.

O que apura o processo disciplinar

Buzzi responde a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) na Corte Especial do STJ, aberto depois que duas mulheres relataram episódios de importunação e assédio sexual cometidos pelo magistrado. Ele foi afastado cautelarmente do cargo e das dependências do tribunal em fevereiro de 2026, logo após as denúncias virem à tona.

Na sessão de 6 de agosto, os ministros da Corte Especial vão decidir se aplicam sanção disciplinar. Entre as penalidades previstas estão a aposentadoria compulsória e a perda do cargo, e a Procuradoria-Geral da República (PGR) já defendeu publicamente a primeira opção.

A defesa de Buzzi nega veementemente qualquer ato ilícito. Em nota, os advogados afirmam que as acusações “carecem de provas concretas” e destacam mais de quatro décadas de trajetória pública e judicial “sem qualquer mácula prévia”.

Inquérito paralelo no STF e precedentes recentes

Além do PAD no STJ, o caso é investigado na esfera criminal por meio de inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques — o foro por prerrogativa de função explica a competência da Corte.

A tese defendida pela PGR esbarra em decisão recente do próprio STF. Em junho, a Primeira Turma da Corte rejeitou por unanimidade um recurso da PGR e confirmou que a aposentadoria compulsória não pode mais ser a punição máxima aplicada a magistrados, precedente que pode pesar contra o pedido da Procuradoria no caso Buzzi.

O próprio Conselho Nacional de Justiça (CNJ) já havia votado, em junho, o fim da aposentadoria compulsória como sanção disciplinar a juízes, adaptando seu regimento ao entendimento fixado pelo STF.

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