Política

Defesa de Buzzi pede adiamento de julgamento no STJ

Ministro pode ser afastado definitivamente do STJ por acusações de assédio sexual
Marco Buzzi ao microfone com sede do STJ ao fundo, no contexto do julgamento de Marco Buzzi no STJ

A defesa do ministro Marco Buzzi, afastado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) desde fevereiro, pediu o adiamento do julgamento que pode resultar em sua saída definitiva do cargo. A sessão estava marcada para a próxima quinta-feira (6), no plenário da Corte.

Os advogados alegam que não tiveram tempo hábil para se reunir com os ministros que vão julgar o processo administrativo disciplinar (PAD) e pedem a Herman Benjamin, presidente do STJ, que a análise seja transferida para a semana seguinte.

Acusações e inquéritos paralelos

O PAD que será analisado pelo plenário do STJ apura denúncias de duas mulheres contra Buzzi, envolvendo assédio e importunação sexual. O ministro foi afastado do cargo em fevereiro, quando os casos vieram à tona, e a sessão de julgamento, marcada para ocorrer de forma fechada e presencial, pode culminar em sua saída definitiva da Corte.

Paralelamente ao processo administrativo, Buzzi responde a dois inquéritos criminais no Supremo Tribunal Federal (STF). Um deles apura a suspeita de importunação sexual pelos mesmos episódios investigados no STJ; o outro mira um possível esquema de venda de sentenças que teria movimentado ao menos R$ 4 milhões — o STF autorizou recentemente a PF a investigar o ministro nessa segunda frente.

Estratégia da defesa

Em entrevista ao g1 publicada na véspera do pedido de adiamento, a advogada de Buzzi, Maria Fernanda Saad Ávila, contestou as acusações e apontou contradições nos depoimentos das testemunhas. Segundo ela, o ministro nunca ficou sozinho no gabinete com a ex-funcionária que o acusa — a defesa já havia usado registros de catracas do STJ para sustentar esse argumento.

Sobre o episódio relatado no litoral de Santa Catarina, a defesa alega que Buzzi tem dificuldades de locomoção e precisou da ajuda da jovem para sair do mar. Os advogados agora aguardam a resposta do presidente do STJ sobre o novo prazo para a sessão de julgamento.

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