O ministro Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) afirmou nesta quinta-feira (16) que 18% das exportações brasileiras aos Estados Unidos serão afetadas pelo tarifaço do governo Donald Trump.
O percentual tem como referência as vendas de 2024 e equivale a US$ 7,4 bilhões da balança comercial entre os dois países, segundo o ministro.
A nova tarifa passa a valer em 22 de julho e atinge itens como aço, alumínio e produtos do setor automotivo.
Como fica a pauta exportadora
Segundo Márcio Elias Rosa, se a base de cálculo for o ano de 2025, a participação dos setores atingidos cai para 15% das exportações, o equivalente a US$ 5,8 bilhões. A diferença reflete mudanças no volume de vendas do Brasil aos Estados Unidos entre os dois períodos analisados.
De acordo com o ministro, o levantamento do governo aponta que 57% dos produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos ficarão sem tarifa na pauta exportadora. Outros 24% estarão sujeitos a uma alíquota que pode chegar a 50%, caso de itens como aço, alumínio e peças do setor automotivo.
A tarifa de 25% havia sido confirmada dois dias antes pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), após investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 — mecanismo usado por Washington para apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano. A medida entra em vigor em 22 de julho, mas uma extensa lista de produtos ficou fora da sobretaxa.
Reação do governo brasileiro
Em nota, o governo Lula classificou a nova tarifa como um “marco lastimável” na relação bilateral e afirmou que a decisão não tem justificativa econômica, sendo motivada por razões políticas. O Planalto sinalizou que pode recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica em resposta à medida americana.
O aumento da tarifa efetiva também colocou o Brasil como o país mais afetado por tarifas dos Estados Unidos desde o retorno de Trump ao poder, superando 11 concorrentes e ficando atrás apenas da China no ranking de alta tarifária.
Antes da confirmação oficial da medida, o Ministério da Fazenda já projetava um impacto macroeconômico reduzido para o Brasil, citando a resiliência das exportações brasileiras registrada após o tarifaço imposto no ano anterior.
