O Ministério da Fazenda avaliou que eventuais novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros terão impacto macroeconômico reduzido na economia do país, segundo análise divulgada nesta terça-feira (15).
A avaliação leva em conta a investigação americana baseada na Seção 301, que acusa o Brasil de desmatamento ilegal, pirataria e práticas ligadas ao PIX, e que resultou na proposta de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras pelo USTR.
Exportações resistem ao tarifaço anterior
Segundo a Fazenda, as exportações brasileiras mostraram resiliência mesmo após o tarifaço imposto pelos Estados Unidos em agosto do ano passado, com recuperação gradual observada desde novembro.
A pasta avalia que, mesmo se as novas tarifas forem confirmadas, as medidas em discussão preveem exceções para diversos produtos, o que tende a manter modesto o impacto agregado sobre a economia brasileira.
Soma-se a isso o pacote de apoio lançado no ano passado para os setores mais expostos ao tarifaço, com ações voltadas a crédito, liquidez e diversificação de mercados — medidas que devem ajudar a mitigar os efeitos setoriais remanescentes.
O risco, no entanto, é considerável: caso as tarifas propostas se confirmem, o Brasil pode saltar da 13ª para a 2ª posição no ranking dos países mais tarifados pelos EUA, atrás apenas da China.
Conflito entre EUA e Irã eleva incerteza
A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda destaca que o cenário internacional segue marcado por elevada incerteza em razão do conflito entre Estados Unidos e Irã. A interrupção do cessar-fogo na semana passada voltou a elevar o prêmio de risco e as cotações do petróleo.
Segundo a pasta, essa reescalada não foi incorporada à análise sobre o impacto das tarifas e representa um risco altista para os preços de energia e baixista para a atividade econômica mundial.
A decisão final do USTR sobre o novo tarifaço é aguardada para esta quarta-feira, quando o governo americano deve confirmar se a tarifa chega a 37,5%, somando os 25% da Seção 301 a mais 12,5% de uma investigação sobre trabalho forçado.
Antes da decisão, o ministro Dario Durigan já havia defendido o PIX como sistema de pagamentos legítimo e cobrado “racionalidade” das autoridades americanas diante da ameaça tarifária.
