A Fifa reverteu neste domingo (5) a suspensão do atacante americano Folarin Balogun após uma ligação do presidente Trump ao dirigente Gianni Infantino. O jogador, expulso por árbitro brasileiro, está liberado para as oitavas da Copa do Mundo contra a Bélgica nesta segunda (6).
A reversão provocou reação furiosa da Bélgica e acendeu debate global sobre a independência disciplinar da entidade, que usou cláusula de discricionariedade para justificar a decisão.
Balogun, de 25 anos, foi expulso após revisão do VAR no segundo tempo do jogo contra a Bósnia e Herzegovina, onde havia marcado seu terceiro gol na Copa. O árbitro brasileiro Raphael Claus aplicou o cartão vermelho após o americano cravar a chuteira no tornozelo do adversário Tarik Muharemovic.
Segundo as agências Reuters, France-Presse e Associated Press — citando fontes em anonimato —, Trump telefonou diretamente para Infantino pedindo revisão da punição. A Fifa então anunciou a suspensão parcial da sanção, justificando a medida pelo código disciplinar da entidade, que prevê discricionariedade para atenuar penas.
Balogun ficará em período probatório por um ano. A Federação de Futebol dos EUA aceitou a decisão sem contestação, enquanto a Casa Branca foi além e celebrou com um post na rede social X: “EUA-EUA-EUA”.
O movimento não veio do nada: desde junho, Infantino vinha consolidando publicamente sua aliança com Trump, chegando a anunciar que os dois entregariam juntos o troféu ao campeão do torneio — como noticiou o Tropiquim ao cobrir o anúncio.
Bélgica reage e treinador inglês questiona isonomia
A Real Associação Belga de Futebol (RBFA) disse estar “surpresa” com a decisão e argumentou que as regras da Fifa “estabelecem claramente” que um cartão vermelho resulta em suspensão automática — como ocorreu em todos os outros casos desta Copa do Mundo.
O técnico da Inglaterra, Thomas Tuchel, seguiu na mesma linha. Embora tenha considerado que Balogun não merecia a expulsão, questionou o tratamento desigual: seu defensor Jarell Quansah foi suspenso normalmente após cartão vermelho na vitória sobre o México no domingo.
Os próprios companheiros de Balogun souberam da reversão pelas redes sociais, já a caminho do treino em Seattle antes do jogo desta segunda.
Precedente histórico: de Garrincha a Otamendi
O caso remete ao episódio mais emblemático de interferência política em Copa. Em 1962, Garrincha foi expulso na semifinal contra o Chile, mas jogou a final após pressão que contou com o apoio do próprio presidente chileno Jorge Alessandri. O Brasil venceu e conquistou o bicampeonato.
Mais recentemente, a Fifa adiou suspensões de Cristiano Ronaldo, Nicolás Otamendi e Moisés Caicedo — todos punidos nas eliminatórias — permitindo que estreassem na Copa 2026. O padrão sugere que a entidade já usa a discricionariedade de forma seletiva há algum tempo.