Esporte

Árbitro somali é barrado nos EUA e perde chance histórica na Copa do Mundo

Omar Artan tinha visto válido, mas governo Trump negou a entrada sem apresentar justificativas
Representação visual do árbitro somali barrado Copa do Mundo 2026 entre Trump, EUA e FIFA em colagem

O árbitro somali Omar Artan, 34 anos, foi impedido de entrar nos Estados Unidos mesmo portando visto válido. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (8) por um assessor do Ministério da Juventude e Esportes da Somália à agência AFP.

Artan havia sido escalado pela FIFA como um dos 52 árbitros da Copa do Mundo 2026, disputada em conjunto por Estados Unidos, Canadá e México. Seria a primeira vez que um árbitro somali apitaria uma Copa do Mundo.

Visto válido, entrada negada

Ciise Aden Abshir, assessor do Ministério somali, afirmou que os motivos da negativa não foram explicados pelas autoridades americanas. A situação é ainda mais intrigante porque Artan possuía documentação regular — o que normalmente garantiria o acesso ao território.

A Somália figura entre os países sujeitos às restrições de viagem impostas pelo governo Trump. A medida atinge cidadãos somalis de forma ampla, independentemente da situação documental individual.

A situação de Artan contrasta com uma concessão que o próprio governo Trump havia feito semanas antes: ao isentar turistas de cinco países africanos da caução de US$ 15 mil exigida para a Copa, mas a Somália ficou de fora da lista.

Trajetória de um árbitro histórico

Registrado na FIFA desde 2018, Artan construiu carreira sólida no futebol africano. Em 2025, foi eleito Árbitro do Ano pela Confederação Africana de Futebol (CAF) — reconhecimento que o projetou para a seleção da Copa 2026.

Apitar jogos em uma Copa do Mundo seria o ápice de sua trajetória. A política migratória americana encerrou essa possibilidade antes mesmo do torneio começar.

O caso de Artan é o mais recente capítulo da tensão entre Washington e Mogadíscio. No fim de novembro, Donald Trump descreveu a Somália como “podre” e manifestou intenção de revogar o status especial que protege cidadãos somalis da deportação nos Estados Unidos.

Para um país sem grande expressão no futebol mundial, perder a representação histórica no maior torneio do esporte tem peso simbólico considerável. Artan seria o primeiro somali a apitar jogos em uma Copa — um marco que agora não acontecerá.

A FIFA não se manifestou sobre o impedimento de um de seus árbitros credenciados. A entidade organiza a Copa 2026 em três países anfitriões, com sede principal nos Estados Unidos — o que coloca a organização em posição delicada diante de casos como o de Artan.

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