A ONU pediu nesta quarta-feira (10) que os Estados Unidos revejam suas práticas de imigração durante a Copa do Mundo de 2026. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, criticou o governo de Donald Trump após uma série de incidentes com delegações estrangeiras e árbitros desde o início do torneio.
Torcedores, o árbitro somali Omar Artan e dirigentes de equipes foram impedidos de entrar no país, enquanto seleções como Senegal e Bélgica foram submetidas a revistas com detectores de metal.
Os episódios se multiplicaram desde o início da Copa. Na segunda-feira (8), a seleção do Senegal foi submetida a uma revista na pista do aeroporto de Raleigh, na Carolina do Norte, logo ao desembarcar nos Estados Unidos. Jogadores e membros da delegação foram inspecionados um a um com detectores de metal e tiveram suas bagagens revistadas.
A federação senegalesa esclareceu, em comunicado divulgado na tarde de terça (9), que a vistoria ocorreu antes do embarque — ao pé do avião — para que a seleção não precisasse transitar pelas áreas habituais do terminal. O caso já havia viralizado nas redes sociais.
A seleção da Bélgica também passou por revista com detectores de metal ao chegar a Chicago na terça-feira, com o equipamento utilizado até na sola dos sapatos dos integrantes da delegação.
O caso mais emblemático é o do árbitro Omar Artan, que seria o primeiro somaliano a apitar uma Copa do Mundo — eleito Árbitro do Ano pela CAF em 2025, foi barrado mesmo portando visto válido após horas de interrogatório, episódio que a própria Federação da Somália confirmou. Leia mais sobre o caso de Artan.
O Uzbequistão foi recepcionado com cães farejadores ao desembarcar em Chicago para um amistoso contra a Holanda na segunda-feira. A delegação teve todas as bagagens revistadas e esperou horas de pé sob forte sol para a liberação. O técnico Fabio Cannavaro foi direto: “Foi a primeira vez na vida que passei por isso”, disse à imprensa norte-americana.
Enquanto os EUA protagonizam cenas de tensão, o México exibe enredo oposto. A seleção da Espanha foi recebida com bandas de música, dança e bandeiras ao desembarcar em Puebla na segunda-feira. O canal oficial da Fúria agradeceu publicamente a receptividade mexicana em suas redes sociais.
O endurecimento na entrada de estrangeiros é reflexo direto da política adotada pelo governo Trump desde o início de 2025. Uma das medidas foi a expansão dos decretos de restrição de vistos e viagens, que passou de 19 para 39 países. Nações como Haiti, Irã, Somália, Sudão e Mali enfrentam suspensões parciais ou totais na emissão de vistos de turismo de curta permanência.
A exigência de depósitos reembolsáveis de até US$ 15 mil para torcedores de cerca de 50 países considerados “de risco” é uma das medidas mais polêmicas do pacote — e a Fifa conseguiu negociar isenção apenas para turistas com ingresso de cinco nações africanas, deixando de fora países como a própria Somália. Entenda a polêmica dos depósitos-caução.
