O Departamento de Estado dos Estados Unidos suspendeu, na quarta-feira (13), a exigência de caução para turistas de cinco países africanos que possuam ingressos para a Copa do Mundo de 2026.
A medida beneficia cidadãos de Argélia, Cabo Verde, Costa do Marfim, Senegal e Tunísia — cinco das 50 nações obrigadas a depositar entre US$ 5 mil e US$ 15 mil antes de embarcar para os EUA.
A isenção foi negociada pela Fifa com o governo americano e representa uma das raras concessões na política imigratória de Donald Trump desde a imposição da taxa, em 2025.
Para ter direito à isenção, o turista de um dos cinco países precisa comprovar a compra de pelo menos um ingresso para alguma partida do Mundial, que começa em 11 de junho e será disputado nos Estados Unidos, Canadá e México.
Jogadores, técnicos e parte das comissões técnicas das seleções já estavam dispensados do pagamento por determinação anterior do governo Trump, como parte das medidas para agilizar o processamento de vistos para o torneio.
Por que esses países foram listados
Em 2025, o Departamento de Estado justificou a criação da exigência com base em altas taxas de turistas que ultrapassavam o prazo dos vistos nos 50 países listados. Os valores variam conforme o perfil do solicitante: US$ 5 mil, US$ 10 mil ou US$ 15 mil — todos reembolsáveis caso o viajante cumpra os termos do visto ou tenha o pedido negado.
O Brasil não estava entre os 50 países da lista original e segue isento de qualquer caução para entrada nos EUA.
Em comunicado, a Fifa agradeceu ao governo Trump pela parceria e afirmou que o anúncio “demonstra nossa colaboração contínua com o governo dos EUA e a força-tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo, a fim de realizar um evento global de sucesso, recordista e inesquecível”.
A suspensão desta quarta é mais uma intervenção do governo Trump nos bastidores da Copa 2026. Em abril, um enviado especial do presidente chegou a pressionar a Fifa para excluir o Irã do torneio e ceder a vaga à Itália.
Alertas e queda nas reservas
Apesar da flexibilização pontual, o governo americano mantém uma série de medidas restritivas que preocupam organizações internacionais. A Anistia Internacional e dezenas de grupos de direitos humanos e civis dos EUA emitiram um “alerta de viagem para a Copa do Mundo”, advertindo visitantes sobre o clima no país.
A associação dos hotéis americanos também reportou queda expressiva nas reservas para o período do torneio. Segundo a entidade, as barreiras de visto e questões geopolíticas estão “reduzindo significativamente a demanda internacional”, com reservas muito abaixo do inicialmente previsto.
Estimativas de autoridades americanas, citadas sob anonimato, indicavam que o número de torcedores diretamente afetados pela caução era relativamente pequeno — cerca de 250 pessoas — mesmo antes da isenção anunciada nesta semana.
