O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) preste depoimento à Polícia Federal em até 10 dias.
A investigação apura se o parlamentar, pré-candidato à Presidência em 2026, cometeu crime de calúnia ao publicar um post no X, em 3 de janeiro, atribuindo ao presidente Lula crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
O que Flávio publicou
Na postagem de 3 de janeiro de 2026, Flávio Bolsonaro associou imagens de Lula ao ex-líder venezuelano Nicolás Maduro — que havia sido preso, acusado pelos Estados Unidos de envolvimento com tráfico de drogas — e afirmou que o presidente brasileiro “será delatado”.
A Polícia Federal concluiu que a sequência do post deixava claro o sentido da publicação: no entendimento do senador, os crimes pelos quais Lula “seria delatado” incluíam tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras e eleições fraudadas.
Como a investigação chegou à oitiva
Em 13 de abril de 2026, Moraes determinou a abertura formal das investigações, atendendo pedido da PF com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). Ao concluir os trabalhos, a PF afirmou ao STF que Flávio fez uma falsa imputação de crime ao presidente e pediu que o tribunal adotasse as providências necessárias.
O relator encaminhou o relatório à PGR para análise. Com o aval da procuradoria, que se manifestou a favor da oitiva, Moraes assinou a determinação do depoimento.
O episódio ganha contornos irônicos no histórico recente do senador com o Supremo. Menos de um mês antes de ser investigado por calúnia, Flávio havia acionado o próprio STF contra Lula, acusando o presidente de incitação ao crime por uma fala sobre Tiradentes.
O contraste também aparece em decisão recente do TSE: menos de duas semanas antes da convocação, o tribunal havia mandado aliados do governo apagarem posts que associavam falsamente o próprio Flávio ao crime organizado — o mesmo tipo de imputação que agora o STF investiga contra o senador.
Pré-candidato à Presidência, Flávio lidera a ala mais combativa da oposição ao governo Lula. O depoimento à PF pode gerar desdobramentos jurídicos relevantes em ano eleitoral, embora a investigação ainda esteja em fase de coleta de provas.
