O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), marcou para 28 de julho, às 14h, o depoimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Polícia Federal. A oitiva faz parte da investigação sobre suspeita de calúnia contra o presidente Lula (PT).
A data foi definida depois que a defesa do senador deixou de indicar dia e horário para o depoimento, limitando-se a pedir a renovação do prazo sem comprovar impedimento para comparecer.
Como começou a investigação
O inquérito foi aberto em 13 de abril de 2026 por determinação de Moraes, atendendo a um pedido da Polícia Federal com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). O alvo é uma publicação feita por Flávio no X, em 3 de janeiro de 2026, na qual ele atribuiu a Lula crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Segundo a PF, o senador associou imagens do presidente ao ex-líder venezuelano Nicolás Maduro, preso pelos Estados Unidos sob acusação de envolvimento com tráfico de drogas, com um texto afirmando que Lula “será delatado”. Para a corporação, a postagem sugere que os crimes citados na sequência — tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras e eleições fraudadas — seriam atribuídos ao petista.
Ao concluir a apuração, a PF pediu que o STF tomasse as providências cabíveis. Moraes então encaminhou o relatório à PGR, que se manifestou favorável à oitiva do senador — pedido que o órgão já havia feito no início de julho, quando solicitou à corporação que ouvisse Flávio sobre a publicação.
Bastidores do adiamento
Moraes havia pedido que Flávio indicasse data e horário para prestar depoimento, mas o prazo se esgotou sem resposta objetiva. A defesa do senador “se limitou a pedir renovação do prazo” e a solicitação de novas datas, sem apresentar comprovante de impossibilidade de comparecimento, segundo o ministro. Diante disso, Moraes marcou a oitiva de ofício “a fim de assegurar o regular prosseguimento das investigações”.
O caso ganha peso político porque Flávio Bolsonaro é pré-candidato à Presidência da República em 2026 e integra o núcleo da família Bolsonaro, principal força de oposição ao governo Lula. A repercussão do inquérito deve se somar a outros embates judiciais que marcam a relação entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e o STF.
