A prévia da inflação oficial do Brasil ficou em 0,41% em junho, segundo o IPCA-15 divulgado nesta quinta-feira (25) pelo IBGE. O resultado eleva o acumulado em 12 meses para 4,80%, ante os 4,64% registrados no período anterior.
O índice desacelerou em relação a maio, quando havia marcado 0,62%, mas avança na comparação anual — em junho de 2025, o IPCA-15 tinha sido de apenas 0,26%.
Alimentação e habitação voltaram a liderar as pressões, respondendo juntos por cerca de dois terços da alta do período.
Alimentos e habitação explicam dois terços da inflação
O grupo de Alimentação e bebidas liderou as pressões com alta de 0,74% em junho, o maior impacto individual entre todos os segmentos medidos pelo IBGE. Na sequência, Habitação avançou 0,72% — e a combinação dos dois grupos explica aproximadamente dois terços de toda a variação do índice no mês.
O desempenho segue padrão semelhante ao de maio. Em ambos os meses, a cesta de alimentos e os custos com moradia concentraram a maior parte da pressão inflacionária, revelando uma dinâmica que já dura pelo menos dois ciclos de medição consecutivos.
Entre os demais grupos, o comportamento foi mais moderado. Saúde e cuidados pessoais registrou alta de 0,47%, enquanto Transportes apresentou leve recuo de 0,03%, funcionando como contrapeso parcial na composição do índice.
O resultado de junho aprofunda uma trajetória já preocupante: em maio, o IPCA oficial havia registrado 0,58%, com inflação acumulada de 4,72% em 12 meses — e os mesmos grupos de alimentos e habitação já lideravam as pressões.
Resultado abaixo do esperado, mas acumulado segue em alta
O dado de junho veio ligeiramente abaixo das projeções do mercado financeiro. A mediana das expectativas apontava para uma alta de 0,44% — o resultado ficou 0,03 ponto percentual abaixo dessa estimativa, o que pode ser interpretado como um alívio marginal.
Ainda assim, o cenário de médio prazo não inspira otimismo. Na semana passada, analistas do mercado financeiro já projetavam inflação de 5,30% para 2026 — patamar bem acima dos 4,80% acumulados pelo IPCA-15 até junho.
Se a trajetória se confirmar, o Brasil encerrará 2026 com inflação pressionada, mantendo o ambiente de tensão sobre a política monetária. A persistência de alimentos e habitação como vetores de alta torna mais difícil um arrefecimento rápido dos preços ao consumidor.
