A inflação oficial do Brasil registrou 0,58% em maio — resultado abaixo dos 0,67% de abril, mas que não alivia o quadro anual: o IPCA acumulado em 12 meses acelerou para 4,72%, acima da meta de inflação.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (12) pelo IBGE. Um ano atrás, em maio de 2025, o índice havia marcado apenas 0,26% no mês — menos da metade do resultado atual.
Alimentos lideram pressão no IPCA de maio
O grupo Alimentação e bebidas foi o principal motor da inflação em maio, com alta de 1,33% e impacto de 0,29 ponto percentual no índice — o equivalente a metade de todo o resultado do mês.
Na sequência, o grupo Habitação registrou variação de 1,22%, com contribuição de 0,18 ponto percentual. Saúde e cuidados pessoais completou o pódio de pressões, avançando 0,90% e respondendo por 0,12 ponto percentual do IPCA.
Juntos, os três grupos concentraram a maior parte da alta dos preços em maio e explicam grande parte do resultado do índice, segundo o IBGE.
O acumulado dos últimos 12 meses passou de 4,39% em abril para 4,72% em maio, confirmando uma trajetória de aceleração no ano. Quatro dias antes da divulgação oficial, o mercado financeiro já havia elevado pela 13ª semana seguida sua projeção de inflação para 2026 a 5,11% — sinal de que, mesmo com a desaceleração de maio, o ano ainda deve fechar bem acima dos 4,72% acumulados até agora. Veja: Mercado eleva inflação para 5,11% em 2026 pela 13ª semana seguida.
Desaceleração mensal não dissipa pressão anual
A queda de 0,67% para 0,58% entre abril e maio pode sugerir um alívio pontual, mas a trajetória anual conta uma história diferente: o acumulado em 12 meses acelerou de 4,39% para 4,72%, confirmando que os preços seguem acima da meta.
A comparação com maio de 2025 reforça o cenário. Há um ano, a variação mensal era de apenas 0,26% — menos da metade do resultado registrado agora. Em termos anualizados, o ritmo atual é expressivamente mais intenso.
A concentração da pressão em alimentação, habitação e saúde — três grupos de consumo básico — evidencia que a inflação do período foi ampla, não restrita a itens pontuais ou voláteis.
Com o mercado financeiro projetando 5,11% para o fechamento de 2026, o acumulado de 4,72% até maio indica que os meses restantes do ano ainda devem seguir pressionados.
