O pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) defendeu nesta segunda-feira (22) uma mudança polêmica no Bolsa Família: exigir dos homens beneficiários a conclusão dos estudos — e dispensar as mulheres da mesma contrapartida.
A declaração foi feita durante evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, onde Zema participou ao lado dos presidenciáveis Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD).
Para justificar a distinção, o pré-candidato afirmou que “as mulheres têm outras atribuições em casa, têm filhos” — e que os homens “são convidados a trabalhar”.
A proposta e as regras atuais
Segundo Zema, exigir a conclusão do ensino fundamental ou médio seria condição para os homens permanecerem no programa. “Ninguém vai morrer se tiver de estudar”, afirmou o pré-candidato, que também prometeu recompensar quem sair do Bolsa Família para o mercado formal com carteira assinada.
As regras vigentes já preveem compromissos educacionais: meninos e meninas de 4 a 18 anos incompletos que não concluíram a educação básica devem manter frequência escolar mínima — de 60% para crianças de 4 a 6 anos e de 75% para as demais faixas etárias. A proposta de Zema, portanto, não cria uma contrapartida inédita, mas a restringe ao público masculino adulto.
O programa conta ainda com a chamada regra de proteção: quando a renda familiar ultrapassa R$ 218 por pessoa, o benefício não é cortado imediatamente. A família continua recebendo metade do valor por até 12 meses — e, em alguns casos, até 24 meses — para facilitar a transição ao mercado de trabalho.
Não é a primeira vez que Zema mira o Bolsa Família: semanas antes, o pré-candidato já havia declarado que o programa forma uma “geração de imprestáveis” — a nova proposta é desdobramento direto dessa posição, como noticiou o Tropiquim à época.
Padrão de campanha e repercussão
A declaração se encaixa em um padrão recorrente da pré-campanha de Zema. O governador de Minas Gerais também já defendeu encarceramento em massa nos moldes de El Salvador como resposta ao crime organizado — posições que buscam consolidar seu eleitorado mais conservador antes da janela eleitoral de 2026.
A fala sobre as “atribuições da mulher em casa” reacende um debate em curso no país. O mesmo argumento — de que mulheres acumulam jornada doméstica — apareceu no discurso do presidente Lula, mas com sinal oposto: para justificar o fim da escala 6×1, não para isentá-las de obrigações em um programa social.
Para críticos, a proposta trata a dupla jornada feminina como pretexto para exclusão, e não como desigualdade a ser enfrentada — reforçando papéis de gênero tradicionais dentro de uma política pública de transferência de renda. O debate deve se intensificar ao longo da disputa presidencial de 2026.
