O Novo oficializou nesta segunda-feira (27) a candidatura de Romeu Zema à Presidência da República na corrida de 2026. O anúncio foi feito em Brasília, durante convenção nacional virtual, com a presença do presidente da legenda, Eduardo Ribeiro.
A chapa ainda não tem vice: o nome só deve ser definido até 5 de agosto, prazo final estabelecido pela legislação eleitoral.
Zema se apresentou como alternativa à polarização política e disse reunir as credenciais para governar o país.
Propostas para o STF e combate ao crime organizado
Questionado sobre mudanças no Supremo Tribunal Federal (STF), Zema defendeu idade mínima de 60 anos para a nomeação de ministros, listas tríplices para indicação e o fim de decisões monocráticas em temas já analisados pelo Congresso Nacional. O candidato do Novo também mencionou ser alvo de um processo movido pelo ministro Gilmar Mendes.
Na segurança pública, Zema propôs enquadrar facções criminosas como organizações terroristas e defendeu a construção de um superpresídio em área remota do país, “de preferência no meio da Amazônia”, para concentrar lideranças de facções por longos períodos.
Privatizações e relação com o Congresso
Na economia, o ex-governador voltou a defender a privatização de estatais, afirmando que “não tem vaca sagrada” entre as empresas que poderiam ser vendidas. Sobre o Congresso, criticou o modelo de negociação baseado em cargos e verbas, chamando as emendas parlamentares de “um mal que acomete o Brasil hoje”.
Disputa pelo vice segue em aberto
Zema afirmou que há conversas com nomes fora do partido, mas não descartou uma chapa só com filiados do Novo. O ex-governador chegou a cogitar o empresário Geraldo Rufino, do Podemos, mas ele optou por disputar uma vaga no Senado por São Paulo — a indefinição do vice já vinha se arrastando desde o início das convenções partidárias.
Zema também citou o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa como possível vice, elogiando sua “carreira irretocável” no combate à corrupção. Segundo ele, os dois já tiveram uma conversa breve, mas uma eventual indicação ainda depende do aval do partido.
O candidato também subiu o tom contra Flávio Bolsonaro, do PL, pelas relações do rival com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master envolvido em fraude bilionária, e negou qualquer intenção de ser vice na chapa do adversário. As propostas de enquadrar facções como terroristas e endurecer as regras do STF já haviam sido antecipadas por Zema dias antes, em encontro nacional do Novo em São Paulo.
Zema, de 61 anos, governou Minas Gerais de 2019 a março de 2026, quando renunciou ao cargo para concorrer à Presidência. Formado em administração pela FGV, o candidato tem histórico de aproximação com a família Bolsonaro e apoiou Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022.