O pré-candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema, defendeu nesta terça-feira (21), no Rio de Janeiro, a privatização total da Petrobras e a transformação da estatal em uma corporation sem poder decisório da União.
Em visita à sede do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), ele disse que a União poderia seguir como sócia, recebendo dividendos, mas sem interferir na gestão da empresa.
“Não tem vaca sagrada”, diz Zema sobre estatais
Zema afirmou que defende a privatização de todas as estatais, não apenas da Petrobras, argumentando que o Estado deveria concentrar esforços em áreas como segurança pública, saúde, infraestrutura e educação. Segundo ele, políticos preferem controlar empresas públicas para distribuir cargos e direcionar contratos, em vez de investir na melhoria da vida da população.
Como exemplo de eficiência do setor privado, o pré-candidato citou a produção de alimentos no Brasil, hoje maior produtor mundial do segmento sem participação estatal direta. “Não conheço a Alimentobras produzindo arroz, feijão ou milho”, disse, ao defender que o modelo poderia ser replicado no setor energético.
Zema também argumentou que uma Petrobras mais lucrativa sob gestão privada geraria mais arrecadação de imposto de renda para a União, mesmo sem o controle acionário. Não é a primeira vez que ele defende a venda de estatais: três dias antes, em discurso no encontro nacional do Novo, ele já havia prometido usar o dinheiro da venda da Petrobras e do Banco do Brasil para financiar obras de infraestrutura pelo país.
Vice ainda indefinido e disputa com Lula
Zema confirmou que o Novo oficializará sua candidatura à Presidência no dia 27 de julho, mas disse que ainda não fechou o nome do vice na chapa. Ele negou ter convidado Michele Bolsonaro para a função, afirmando que apenas respondeu a uma pergunta de um jornalista sobre a possibilidade, sem ter feito qualquer convite formal.
A proposta de privatizar a Petrobras contrasta com o discurso do presidente Lula, adversário direto de Zema na disputa de 2026. Um dia antes, em discurso na convenção do PDT, Lula havia defendido o papel estratégico da estatal para conter os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre o preço dos combustíveis, argumento que colide diretamente com a ideia de tirar o controle da empresa da União.
