O pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) defendeu neste domingo que o Brasil adote o modelo de segurança de El Salvador, com o que chamou de “encarceramento em massa” para enfrentar o crime organizado.
A declaração foi dada em debate promovido pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), em São Paulo.
Zema também propôs classificar integrantes de facções criminosas como terroristas e endurecer penas — medidas que atribui ao governo do presidente Nayib Bukele, à frente de El Salvador desde 2019.
O modelo salvadorenho
El Salvador já foi considerado um dos países mais perigosos do mundo. A virada veio com o regime de exceção decretado pelo governo Bukele, que permitiu detenções sem mandado judicial e resultou em queda expressiva nos índices de violência.
O símbolo da política linha-dura é uma megaprisão de segurança máxima com capacidade para 40 mil detentos. A adesão popular cresceu junto: Bukele foi reeleito em 2024 com 80% dos votos.
A visita ao país
Zema afirmou ter viajado a El Salvador no ano passado com o secretário de Segurança Pública de Minas Gerais. Disse ter conversado com mais de 40 moradores de comunidades — em bares, oficinas mecânicas e ruas — e que nenhum deles reprovou as mudanças promovidas pelo governo federal do país.
“Fui conversar com as pessoas que moram em comunidade, mais de 40, encontrando na rua, no barzinho, na oficina mecânica. Todos aprovam a mudança feita pelo governo federal sem exceção”, declarou no debate da Amcham.
Para o pré-candidato, o Brasil precisa de um “choque na segurança pública”. As medidas salvadorenhas — encarceramento em massa, classificação de faccionários como terroristas e endurecimento de penas — seriam, segundo ele, o caminho necessário.
No mesmo debate da Amcham, o pré-candidato Ronaldo Caiado também prometeu enquadrar facções criminosas como organizações terroristas — com foco específico na Amazônia e proposta de mobilizar as Forças Armadas na região.
O discurso de Zema chega semanas após o governo Lula lançar um pacote de R$ 1 bilhão contra o crime organizado, que especialistas já avaliam com ceticismo, alertando para o risco de a pauta de segurança se tornar instrumento eleitoral em 2026.
Sem citar nomes, o pré-candidato ainda fez críticas veladas durante o evento. Disse que “quem se aproximou do banqueiro bandido é um mau sinal” e que prefere “gente competente” a soluções de “companheirada e parentada”. As declarações foram amplamente interpretadas como alfinetadas ao governo federal.
A defesa do modelo de El Salvador segue um padrão de polêmicas acumuladas na pré-campanha: em maio, Zema já havia provocado reação ao declarar que revogaria a proibição ao trabalho infantil no Brasil se eleito.
