Política

PGR pede que investigação da Abin paralela saia do STF para primeira instância

Paulo Gonet argumenta que, com Bolsonaro já condenado pela trama golpista, demais investigados perdem foro no Supremo
Abin paralela transferência primeira instância: fachada do STF, Bolsonaro e Paulo Gonet em composição institucional

A Procuradoria-Geral da República defendeu nesta quinta-feira (18) a transferência da investigação sobre a Abin paralela do Supremo Tribunal Federal para a primeira instância da Justiça.

O procurador-geral Paulo Gonet sustenta que Jair Bolsonaro era o único investigado com foro privilegiado no STF — e que sua conduta já foi analisada no processo em que foi condenado pela trama golpista. Para os demais investigados, o raciocínio não se aplica.

36 indiciados e o futuro do caso

A Polícia Federal indiciou 36 pessoas no inquérito da Abin paralela. Entre os nomes estão o vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL), o ex-diretor da Abin e deputado federal cassado Alexandre Ramagem (PL) e Luiz Fernando Corrêa, mantido pelo governo Lula como diretor da agência de inteligência.

Caso o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, acate a posição da PGR e determine a transferência, os processos contra Carlos Bolsonaro e Ramagem passariam a ser conduzidos por um juiz de primeiro grau — saindo diretamente das mãos de Moraes.

O que foi o esquema

A Abin paralela consistiu no uso irregular da estrutura oficial da Agência Brasileira de Inteligência para monitorar autoridades, adversários políticos, jornalistas e desafetos do então presidente Bolsonaro. Segundo a PF, policiais, servidores e funcionários da agência formaram uma organização criminosa que invadiu celulares e computadores durante a gestão Bolsonaro.

Entre as autoridades espionadas estão o próprio ministro Alexandre de Moraes, o então presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) e o senador Renan Calheiros (MDB-AL), além de integrantes dos três poderes e da imprensa.

O relatório da PF sobre o caso foi apresentado em junho de 2025 e aguardava o parecer da PGR desde então.

A posição de Paulo Gonet sobre o foro da investigação está diretamente atrelada à condenação de Bolsonaro pela tentativa de golpe. Dois dias antes, o próprio Gonet havia pedido ao STF que recusasse o pedido de revisão criminal da defesa do ex-presidente — a sentença de 27 anos que serve de premissa jurídica para o argumento de transferência do caso da Abin.

Quanto ao próprio Bolsonaro, a PF concluiu que ele sabia do esquema, era o principal beneficiário e integrava o núcleo político do grupo que atuou nas ações clandestinas. Ainda assim, o ex-presidente não foi formalmente indiciado nesta investigação: a corporação entendeu que, como ele já havia sido indiciado por organização criminosa no inquérito do golpe — que também trata do uso ilegal da Abin —, não seria possível indiciá-lo novamente pelo mesmo crime.

A decisão final sobre o destino da investigação cabe ao ministro Alexandre de Moraes. A posição é, no mínimo, singular: Moraes figura ao mesmo tempo como relator do caso e como uma das autoridades que o próprio esquema tentou monitorar.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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