A Polícia Federal afirmou ao Supremo Tribunal Federal que a atual direção da Agência Brasileira de Inteligência provocou obstáculos sistêmicos à investigação de ações clandestinas no órgão.
Segundo a PF, o diretor Luiz Fernando Corrêa foi indiciado por prevaricação e coação, atuando para dificultar apurações sobre desvios no uso de ferramentas de espionagem.
Os investigadores apontam um “estado de coação” e embaraçamento interno, prejudicando a identificação de responsáveis e a colaboração de servidores.
Atuação da direção e impacto nas investigações
De acordo com a Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa assumiu o comando da Abin de forma informal, participando de reuniões de cúpula, acessando informações sigilosas e realizando ações que tiveram o objetivo de obstruir as investigações sobre a organização criminosa instalada no órgão.
O relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal detalha que Corrêa conduziu uma “estratégia conjunta” com outros membros da direção, criando acordos internos e uma comissão para participar das decisões junto à direção geral. O objetivo seria construir uma defesa unificada, dificultando colaborações espontâneas de servidores e unificando discursos.
Essa atuação, segundo a PF, impactou negativamente a sindicância investigativa interna, que não conseguiu inicialmente identificar a organização criminosa e os responsáveis pelas irregularidades, apesar dos esforços da Corregedoria à época.
Omissões e clima de coação
A Polícia Federal destacou a omissão de nomes relevantes na lista enviada à corporação, como o de Alan Oleskovicz, apontado como intermediário de ordens da gestão Alexandre Ramagem. Essa omissão teria dificultado a reconstituição da cadeia de comando e a identificação de atores-chave nas ações clandestinas.
O documento da PF afirma ainda que Oleskovicz foi identificado como responsável por sugerir ações para “melar as eleições”. A postura da direção geral teria gerado um clima de coação e desconfiança, desestimulando a colaboração de servidores com informações relevantes.
Como exemplo, o relatório cita a abordagem de Lúvio Andrade ao oficial Nilton, que ameaçava “entregar todo mundo” sob o argumento de que a direção geral havia articulado a impunidade. O “estado de coação” chegou ao ponto de um oficial da Abin procurar pessoalmente um delegado da Polícia Federal para pedir que não “entregasse” todos os envolvidos.