A Polícia Federal indiciou 36 pessoas, incluindo o atual diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Corrêa, nesta terça-feira (17). A investigação apura um suposto esquema de espionagem ilegal com uso da agência durante o governo Jair Bolsonaro.
Segundo a PF, a atual direção da Abin teria tentado impedir as apurações. Instrumentos adquiridos nos governos Bolsonaro e Temer eram usados para coletar informações e alimentar o chamado gabinete do ódio.
Perfil de Luiz Fernando Corrêa
Nascido em Santa Maria (RS), em 1958, Luiz Fernando Corrêa é delegado aposentado da Polícia Federal. Ele já atuou como diretor-geral do Departamento de Polícia Federal e como Secretário Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça nos dois primeiros mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2003 e 2011.
Corrêa também foi diretor de Segurança do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, entre 2011 e 2016. Sua primeira nomeação para um cargo no governo federal foi feita em 2003 pelo então ministro da Justiça, Tarso Genro, que afirmou: “Era um excelente servidor público e fez um trabalho extraordinário na Secretaria Nacional de Segurança Pública, em todo o período em que fui ministro da Justiça. Tenho as melhores referências dele, mas evidentemente não tenho muitas informações a respeito da sua conduta atual. É uma pessoa que mereceu a minha confiança e ainda merece”.
A investigação da PF aponta que Corrêa teria participado de reuniões e tido acesso a informações sigilosas antes mesmo de sua nomeação oficial, com ações voltadas a obstruir as investigações sobre a organização criminosa instalada na Abin.
Detalhes da investigação e repercussão
De acordo com a apuração da jornalista Daniela Lima, a PF entende que a espionagem durante o governo Bolsonaro e a tentativa de obstrução na atual gestão reforçam a necessidade de reforma na Abin. Para investigadores, a agência estaria operando de forma indiscriminada e sem controle.
O inquérito aponta que policiais, servidores e funcionários da Abin formaram uma organização criminosa para monitorar pessoas e autoridades públicas, invadindo celulares e computadores. Entre os alvos estavam integrantes do Judiciário, Legislativo, Executivo e jornalistas. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, também estaria entre os monitorados.
Segundo relatório da PF, Corrêa teria minimizado o escândalo do uso clandestino da ferramenta FirstMile, afirmando que “a montanha vai parir um rato” e buscado desacreditar a investigação ao classificá-la como “política”.
A situação de Corrêa tornou-se um entrave para o governo Lula, que ainda não se manifestou sobre o indiciamento. Ninguém comentou o caso nesta terça-feira (17), à espera do retorno do presidente ao Brasil após viagem ao Canadá para a reunião do G7.