Esporte

Copa 2026 abre com 48 seleções e tensões geopolíticas pela agenda de Trump

Pelo Azteca, o mundial estreia formato inédito enquanto delegações acumulam relatos de restrição nos EUA
Tensões de imigração e geopolítica entre Trump, EUA e a Copa do Mundo 2026

A Copa do Mundo de 2026 tem início nesta quinta-feira (11) com um pontapé no Estádio Azteca, na Cidade do México, na partida entre México e África do Sul. O torneio estreia um novo formato com 48 seleções — 16 a mais do que o modelo vigente de 1998 a 2022.

Pela primeira vez na história, três países sediam o mundial: México, Canadá e Estados Unidos. Os americanos recebem a fatia maior — 78 dos 104 jogos —, mas é também dos EUA que partem as tensões políticas que marcam a competição antes mesmo do apito inicial.

Novo formato e disputas ampliadas

Na fase de grupos, as 48 seleções estão distribuídas em 12 chaves de quatro times. Os dois primeiros de cada grupo avançam automaticamente, e mais oito melhores terceiros colocados completam o quadro de 32 classificados para o mata-mata — uma rodada a mais do que nas edições anteriores.

Dos 16 estádios do torneio, três ficam no México (Cidade do México, Guadalajara e Monterrey) e dois no Canadá (Vancouver e Toronto). Os EUA, com 11 cidades-sede, recebem todos os jogos do mata-mata, exceto um — que volta ao Azteca.

Irã, vistos negados e ingressos retirados

A Copa começa em meio ao reinício das hostilidades entre EUA e Irã após o conflito iniciado em fevereiro com participação americana e israelense. A tensão se refletiu diretamente sobre a delegação iraniana.

O governo Trump informou que não permitiria que jogadores e membros da comissão técnica pernoitassem em território americano. O Irã, que se hospedaria em Tucson, no Arizona, transferiu sua base para Tijuana, no México. Boa parte da comissão teve visto negado, e os atletas só receberam autorização de entrada na semana passada.

Na terça-feira (9), dois dias antes da abertura, os EUA retiraram a cota de 8% dos ingressos por partida que era destinada aos torcedores iranianos nos jogos de sua seleção.

Na véspera do início do torneio, a ONU já havia pedido formalmente que os EUA revissem suas práticas de imigração durante a Copa — reação a uma série de incidentes que incluiu revistas com detectores de metal nas delegações do Senegal e da Bélgica, além do caso do árbitro Artan. Saiba mais: ONU cobra mudança na política imigratória dos EUA durante a Copa

Árbitro barrado e o rastro de restrições

O atacante iraquiano Aymen Hussein foi detido e interrogado por sete horas ao pousar em Chicago. O fotógrafo oficial da delegação do Iraque teve o celular vasculhado e a entrada negada.

O caso que mais repercutiu na imprensa internacional, porém, foi o do árbitro somali Omar Artan. Considerado o melhor do continente africano e escalado pela Fifa para a Copa, Artan teve a entrada negada no aeroporto de Miami e precisou retornar à Somália sem apitar uma partida sequer.

A comunidade somali é alvo recorrente da retórica de Trump, que costuma se referir ao país com termos depreciativos. Em Minneapolis, essa mesma comunidade foi o principal foco de uma operação do ICE — o serviço de imigração americano — que terminou com a morte de dois cidadãos: Renee Good e Alex Peretti.

Diante do acúmulo de episódios, a Fifa preferiu não confrontar o governo americano. “É lamentável o que aconteceu com Omar, o árbitro da Somália”, disse o presidente Gianni Infantino nesta quarta (10). “Mas, novamente, não controlamos tudo. Estamos trabalhando nos bastidores, tentando entender a situação.”

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

ICE transforma eventos de futebol em armadilhas para imigrantes durante a Copa, aponta relatório

SpaceX leva Wall Street para o centro da disputa tecnológica com a China

EUA ordenam suspensão de modelos Anthropic por segurança nacional

Zema chama Vorcaro de ‘bandido’ e diz que Bolsa Família forma ‘geração de imprestáveis’