Às vésperas da Copa do Mundo, os Estados Unidos emitiram um alerta oficial para influenciadores estrangeiros que pretendem monetizar conteúdo produzido em solo americano usando apenas visto de turista.
A nota conjunta da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) e do Departamento de Segurança Interna foi enviada ao jornal espanhol El País. Quem descumprir as regras pode ser deportado e ter o visto cancelado.
O visto B-2, destinado a turistas, permite viagens de lazer, visitas familiares e tratamento médico — mas não autoriza atividades profissionais nem recebimento de renda por trabalhos realizados em território americano. Para influenciadores que planejam fechar parcerias com marcas, rodar campanhas publicitárias ou produzir conteúdo comercial durante o torneio, a alternativa legal é o visto O-1.
Concedido a profissionais com “habilidades extraordinárias” em áreas como artes, esportes, ciência e negócios, o O-1 permite atividades remuneradas. A solicitação, porém, exige documentação robusta e costuma demandar planejamento antecipado.
Fiscalização reforçada nos aeroportos
Uma fonte do governo americano, que falou sob anonimato ao El País, revelou que a gestão Trump planeja intensificar a fiscalização em aeroportos e postos de fronteira para identificar criadores de conteúdo estrangeiros que trabalhem com visto de turista. O objetivo declarado é “proteger empregos americanos”.
O alerta faz parte de um padrão que se repete desde o início do torneio: dias antes, o árbitro somali Omar Artan havia sido deportado mesmo portando visto válido, expondo a rigidez da política migratória americana durante a Copa. Ainda não está claro como as regras serão aplicadas especificamente contra influenciadores, nem se já houve casos concretos de fiscalização.
A política migratória do governo Trump tem gerado apreensão global às vésperas do maior torneio de futebol do planeta. Torcedores do Irã — país em conflito com os EUA — foram impedidos de entrar no país, e o caso do árbitro somali repercutiu internacionalmente.
A pressão cresceu a ponto de a ONU pedir formalmente ao governo Trump que revisasse suas práticas migratórias durante o torneio — um sinal do nível de apreensão global que agora alcança também os criadores de conteúdo estrangeiros.
Para centenas de influenciadores que planejavam registrar a Copa para milhões de seguidores, o alerta representa um risco concreto: monetizar posts, stories e vídeos produzidos nos EUA durante o evento pode ser enquadrado como trabalho irregular — com consequências que vão muito além de uma simples advertência.
