A designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos entrou em vigor nesta sexta-feira (5) e colocou o governo brasileiro em alerta. O tema envolve segurança, sistema financeiro e soberania nacional.
Diplomatas e integrantes da área de segurança monitoram os próximos passos da administração Trump e trabalham com três cenários possíveis para os efeitos concretos da medida sobre o Brasil.
Com a entrada em vigor nesta sexta, PCC e CV passam a integrar a mesma lista que reúne Hamas, Hezbollah e Al-Qaeda — uma classificação que, pela legislação americana, já aciona sanções automáticas contra qualquer entidade associada aos grupos.
Os três cenários que Brasília monitora
O primeiro — e mais favorável — é que a decisão fique no campo simbólico e político, sem desdobramentos práticos relevantes. A esperança é que se trate mais de um gesto da administração Trump do que de uma política estruturada de pressão sobre o Brasil.
O segundo cenário tem a Venezuela como referência. Em outros casos, Trump escalou o enfrentamento ao narcotráfico com apreensão de ativos, bloqueios e ações diretas contra embarcações apontadas como ligadas ao crime organizado.
O terceiro e mais temido é o modelo mexicano. Os Estados Unidos sancionaram bancos acusados de facilitar lavagem de dinheiro para cartéis do narcotráfico — e o temor é que o mesmo caminho seja trilhado contra pessoas físicas, empresas ou estruturas suspeitas de dar suporte econômico ao PCC ou ao Comando Vermelho.
Para integrantes do governo, são “perigos parecidos com a aplicação da Lei Magnitsky” a autoridades brasileiras — norma americana que permite sanções individuais por violações de direitos humanos e corrupção.
A decisão foi anunciada semana passada pelo Departamento de Estado sem aviso prévio ao Planalto — o que por si só ilustra o nível de tensão diplomática que o governo brasileiro agora tenta administrar.
Por isso, Brasília intensificou a interlocução com autoridades americanas e busca canais de diálogo para entender quais serão os efeitos concretos da designação. A avaliação interna é que o tema tem potencial de produzir consequências muito mais complexas do que a guerra tarifária.
A diferença, segundo integrantes do governo, é que a disputa tarifária se resolve em negociações comerciais. Já as implicações de uma classificação terrorista tocam em pilares mais sensíveis: a integridade do sistema financeiro brasileiro, a segurança interna e a própria soberania do país.
