Política

Trump usa PCC como peça central da estratégia de dominância nas Américas

Com a Doutrina Monroe de volta ao léxico americano, narcoterrorismo vira pretexto para reconfigurar a influência dos EUA no continente
Donald Trump e bandeira americana ilustram as sanções dos EUA ao PCC como ferramenta de influência nas Américas

O Departamento do Tesouro americano sancionou dois brasileiros e três empresas do país por participação em esquema de lavagem de dinheiro do PCC, classificado pelos EUA como “a maior organização criminosa do Hemisfério Ocidental”.

As punições foram anunciadas na quarta-feira (1º) e representam a primeira rodada de sanções desde maio, quando o governo Trump designou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais.

O movimento vai além de uma ação policial: integra a nova estratégia dos EUA para exercer dominância política, militar e econômica sobre a América Latina.

A arquitetura estratégica por trás das sanções

As sanções ao PCC não surgem no vazio. Em janeiro, o Departamento de Guerra dos Estados Unidos publicou a nova “Estratégia Nacional de Defesa”, com o objetivo declarado de assegurar dominância militar e comercial “do Ártico à América do Sul”. O documento admite que os EUA podem recorrer a ações militares onde e quando julgarem que seus interesses não estão sendo atendidos.

Em dezembro de 2024, a Casa Branca já havia publicado a nova Estratégia de Política Externa, sinalizando maior foco na América Latina. O realinhamento militar previsto no documento se baseia em três eixos: segurança nacional, combate ao narcoterrorismo e contenção do avanço chinês na região.

A estratégia também invoca a Doutrina Monroe para “restaurar a predominância americana no Hemisfério Ocidental” — linguagem que não era usada com tal intensidade há décadas. O combate ao narcoterrorismo funciona como instrumento que fornece cobertura legal e retórica a esse projeto geopolítico mais amplo.

A base jurídica para as sanções desta semana foi construída em junho, quando o Federal Register formalizou a designação do PCC e do CV como organizações terroristas internacionais — criando o arcabouço legal que permite ao Tesouro americano congelar ativos e punir empresas associadas às facções. Saiba como o Federal Register oficializou a designação do PCC e do CV como terroristas internacionais.

Em maio, o secretário Marco Rubio afirmou que o PCC e o CV ultrapassavam as fronteiras brasileiras e alcançavam outros países da região e os próprios Estados Unidos, prometendo usar “todas as ferramentas disponíveis” para cortar o financiamento de narcoterroristas.

Brasília subestimou o ritmo da pressão americana

O governo Lula atuou ativamente para tentar impedir a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas. Quando a medida foi anunciada em maio, o presidente reagiu com dureza, defendeu a soberania e afirmou que o Brasil não aceitava ser “tratado como moleque”.

O cenário que Brasília mais temia desde a designação de junho agora se materializou: especialistas já alertavam que o próximo passo dos EUA seria exatamente sancionar pessoas físicas e empresas brasileiras com conexão ao PCC. As preocupações do governo brasileiro com sanções financeiras estavam documentadas desde então.

A leitura do Palácio do Planalto era de que as consequências práticas demorariam a aparecer. As sanções desta semana mostram que a pressão americana avançou mais rápido do que o governo Lula havia calculado. A avaliação inicial do Planalto sobre o ritmo das sanções provou-se equivocada.

O governo americano usou como exemplo de sua nova postura a operação que capturou o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, acusado de liderar o Cartel de los Soles. O lema “paz por meio da força”, adotado desde o início do segundo mandato de Trump, dá o tom da abordagem: o crime organizado transnacional tornou-se o principal pretexto para o redesenho da presença americana no continente.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Trump usa PCC como peça central da estratégia de dominância nas Américas

Frente fria reforçada por ciclone mantém temporais no Sul e despenca temperatura no Sudeste

PSD lança Kassab como vice de Caiado, mas racha nos maiores colégios eleitorais

PGFN e SP pedem falência do Grupo Dolly por dívida de R$ 15,7 bilhões