Política

Itamaraty alerta para risco de ação militar dos EUA no Brasil após rótulo terrorista ao PCC

Chanceler Mauro Vieira enviou documento à Câmara apontando ameaça concreta à soberania nacional
Composição editorial mostrando Trump, bandeira brasileira e Chanceler Vieira em contexto de ação militar dos EUA no Brasil

O governo brasileiro elevou o tom na crise com Washington. O Itamaraty alertou ao Congresso que a classificação do PCC e do Comando Vermelho como terroristas pelos EUA pode abrir caminho para o uso de força militar americana no Brasil.

O chanceler Mauro Vieira assinou o texto protocolado em 2 de julho, em resposta a consulta do deputado Evair de Melo (Republicanos-ES) sobre as medidas adotadas pelo governo Trump.

A nota do Itamaraty detalha os riscos da designação unilateral feita por Washington em junho. O documento cita a possibilidade de ação militar americana por duas vezes — o que indica que o governo considera o cenário sério o suficiente para registrá-lo formalmente.

Segundo o chanceler, a classificação “pode servir para que autoridades estadunidenses apliquem medidas administrativas e judiciais de caráter unilateral e extraterritorial contra pessoas, empresas ou organizações brasileiras, inclusive sem vínculos diretos com os EUA”.

Em outro trecho, Vieira é mais direto: “A referida classificação unilateral poderia ser invocada como justificativa para ações extraterritoriais sobre instituições brasileiras. Há, ademais, o risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional.”

Soberania em xeque

Brasília também aponta uma falha procedimental: o chanceler afirma que “não houve comunicação formal dos Estados Unidos ao Brasil sobre a intenção de designar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas estrangeiras”.

A posição não é nova: duas semanas antes, Vieira já havia alertado na OEA que o rótulo terrorista poderia se tornar pretexto para “respostas que ignoram fronteiras e a igualdade soberana das nações”.

Para o Itamaraty, a medida “não trará benefícios” e “representa riscos concretos à soberania nacional” — linguagem pouco usual para a diplomacia brasileira nas relações com Washington.

A semana foi marcada por atritos em série. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou de “interferência” a ação americana — no mesmo dia em que a Polícia Federal prendia uma das alvos sancionadas pelo Tesouro dos EUA.

Na primeira rodada de sanções, o Departamento do Tesouro americano bloqueou bens de dois brasileiros e quatro empresas — três baseadas no Brasil e uma em Portugal — por suposta ligação com o PCC.

A estratégia por trás da crise

A preocupação ganha respaldo na nova Estratégia Nacional de Defesa dos EUA, publicada em janeiro, que admite abertamente o uso de força militar onde Washington julgar que seus interesses não estão sendo atendidos — do Ártico à América do Sul.

O quadro coloca o Brasil em posição inédita: contestar Washington na definição do que é crime organizado sem abrir mão da soberania territorial — e sem romper relações com seu principal parceiro no hemisfério.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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