O senador Flávio Bolsonaro (PL) revelou nesta terça-feira (2) ter pedido pessoalmente a Donald Trump, durante visita à Casa Branca na semana passada, que os Estados Unidos não taxassem produtos brasileiros.
No mesmo dia, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR) propôs uma tarifa de 25% sobre exportações do Brasil — fruto de uma investigação que aponta práticas do governo Lula como obstáculos ao comércio americano.
A apuração do USTR cita como exemplos de práticas que oneram o comércio americano o PIX, o desmatamento ilegal e falhas na aplicação de leis anticorrupção no Brasil. A conclusão da investigação embasou a proposta de sobretaxa que, segundo o órgão, entraria em vigor a partir de julho.
Flávio minimizou o caráter definitivo da medida. “É uma sugestão ainda, que entraria em vigor a partir de julho”, disse o senador em entrevista à rádio. Para ele, o presidente Lula ainda tem tempo hábil para ir a Washington e negociar: “Lula tem mais esse tempo para ir lá e negociar, para defender as empresas brasileiras, para que as nossas empresas não sejam sancionadas, não sejam punidas.”
Na semana passada, Flávio esteve na Casa Branca para um encontro que durou minutos — rápido o suficiente para uma foto no Salão Oval, mas em que Trump não chegou a se levantar para receber os brasileiros, segundo relatos de membros da própria comitiva.
Ao comentar o tarifaço proposto pelos EUA, Flávio usou o episódio para atacar Lula, seu adversário previsto nas eleições de outubro. Segundo o senador, Trump não estaria retaliando as empresas brasileiras, mas sim o próprio presidente: “Quem está sendo retaliado não são as empresas brasileiras. Quem está sendo retaliado é o próprio Lula.”
Flávio aponta como estopim central a postura de Lula contrária ao dólar como padrão de comércio internacional. “Trump sabe que Lula se mobiliza para tirar o dólar como padrão internacional de comercialização entre os países. Isso é um tiro no coração dos Estados Unidos”, afirmou o senador, classificando Lula como “uma pessoa inconfiável, uma pessoa incompetente” na avaliação de Trump.
O governo Lula já havia iniciado negociações técnicas com Washington em maio, após a cúpula bilateral — mas o prazo de 30 dias acordado entre os dois presidentes não foi suficiente para impedir a conclusão da investigação pelo USTR, que seguiu seu curso independente.
