Política

Entidades levam ao STF derrubada de norma que protege crianças vítimas de estupro

PSOL encabeçará ação no STF contra suspensão da Resolução 258, aprovada em votação simbólica sem debate no Senado
Ação no STF: aborto legal e proteção de crianças contra estupro

Entidades e organizações da sociedade civil que integram o Conanda vão ao Supremo Tribunal Federal contestar a suspensão de uma resolução que regulamentava o aborto legal para crianças e adolescentes vítimas de estupro.

A ação terá o PSOL como autor e será protocolada após a promulgação do projeto de decreto legislativo (PDL) que derrubou a Resolução 258 — norma em vigor desde janeiro de 2025 que orientava o atendimento humanizado de meninas grávidas em decorrência de violência sexual.

Uma votação de 1 minuto e 42 segundos

A ação no STF contesta uma votação relâmpago: na terça-feira (2), o Senado aprovou a suspensão da Resolução 258 em votação simbólica — modalidade em que não fica registrado quais senadores votaram a favor ou contra. O PDL havia passado antes pela Câmara em novembro de 2025, com discussões acaloradas. No Senado, foi diferente: aprovado em exatos 1 minuto e 42 segundos, sem falas ou intervenções de parlamentares.

A relatora da proposta, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), defende que o Conanda extrapolou suas competências e tentou legislar no lugar do Congresso. Esse argumento será o alvo central da ação judicial. Damares já havia apresentado a mesma tese na Comissão de Direitos Humanos do Senado, um dia antes da votação em plenário — e será exatamente esse ponto que o PSOL deverá rebater perante o STF.

Defensores da resolução sustentam que a norma não cria novas regras nem inova no ordenamento jurídico: apenas organiza o atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual que engravidam. A ação deverá ser endossada por entidades da sociedade civil, ainda que o governo federal também tenha representantes no Conanda.

Governo pego de surpresa — e eleições no horizonte

Os ministérios dos Direitos Humanos e das Mulheres estavam em alerta desde que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou que pautaria o PDL. Dias antes da votação, interlocutores do governo percorreram gabinetes para defender a manutenção da resolução. Mas foram pegos de surpresa: o item foi apresentado fora da pauta e aprovado antes que qualquer reação fosse organizada.

Aliados de Damares Alves reconhecem que a votação foi facilitada porque o governo não “colocou o time em campo”. A avaliação no campo conservador é direta: o Planalto não quis se desgastar com um tema espinhoso às vésperas das eleições. O silêncio no plenário — sem falas ou intervenções — é lido como reflexo desse cálculo político.

Os dados por trás da disputa são expressivos: em 2024, 12 mil bebês nasceram de mães com até 14 anos — e, em 2025, apenas 20% das crianças que engravidaram após estupro conseguiram acessar o aborto legal pelo SUS. A própria Resolução 258 alertava que a gestação em crianças e adolescentes representa risco à saúde física, psicológica e mental, podendo resultar em adoecimento, incapacidade e morte.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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