Política

Senado bloqueia acesso ao aborto legal enquanto 12 mil bebês nascem de crianças estupradas

Apenas 20% das meninas grávidas por estupro acessaram o aborto legal em 2025; maioria segue sem acesso ao direito garantido por lei
Crianças sob risco enquanto Senado nega acesso ao aborto legal para gravidez de crianças vítimas de estupro

Em 2024, 12.004 bebês nasceram de mães com até 14 anos — meninas para quem qualquer relação sexual é, por lei, estupro de vulnerável. O número representa 5 a cada mil nascimentos registrados no Brasil naquele ano.

Na terça-feira (2), o Senado Federal aprovou um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que suspende uma resolução do Conanda publicada em dezembro de 2024, a qual organizava o atendimento a crianças vítimas de violência sexual e o acesso ao aborto legalmente previsto.

A suspensão cria risco de novas barreiras ao aborto legal nos casos já autorizados pela legislação: gravidez por estupro, risco de vida da gestante e anencefalia fetal.

A resolução do Conanda não criava direitos novos. A norma organizava fluxos de atendimento e estabelecia diretrizes nacionais para orientar a rede de proteção e garantir o acesso a procedimentos já assegurados pela legislação brasileira. Com sua suspensão, serviços de saúde e proteção ficam sem parâmetros nacionais claros.

A aprovação no plenário veio um dia após a Comissão de Direitos Humanos do Senado referendar o texto. A relatora Damares Alves argumentou que a norma do Conanda relativizava os direitos dos pais sobre as filhas. O projeto avançou rapidamente pelas etapas legislativas até ser aprovado pelo plenário do Senado.

O que dizem os dados do SUS

Em 2025, o Sistema Único de Saúde registrou 9.140 notificações de estupro contra meninas que resultaram em gravidez. Desse total, apenas 20% tiveram acesso ao aborto legal — os outros 80% continuaram a gestação.

O Brasil autoriza a interrupção da gravidez em três situações: gestação resultante de estupro, risco de vida da gestante e anencefalia fetal, conforme entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal. Com a suspensão da resolução, esses casos perdem o amparo de diretrizes nacionais que orientavam sua execução na rede pública.

Crescimento das notificações de violência sexual

O Atlas da Violência registrou avanço nos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes entre 2023 e 2024. Na faixa de 0 a 4 anos, as notificações subiram de 7.315 para 7.845. Entre crianças e pré-adolescentes de 5 a 14 anos, de 26.125 para 29.135. Adolescentes de 15 a 19 anos registraram alta de 6.124 para 6.869 casos.

O grupo de 5 a 14 anos concentra cerca de 66% de todas as notificações de 2024, configurando o segmento mais vulnerável à violência sexual no país. A faixa de 0 a 4 anos, embora com menores números absolutos, apresentou o crescimento proporcional mais expressivo no período.

A edição mais recente do levantamento já havia apontado que a violência sexual responde por 45,5% das notificações de agressão contra meninas de 10 a 14 anos e que os casos quadruplicaram em dez anos — cenário que agrava ainda mais o impacto da suspensão das diretrizes que orientavam o atendimento a essas vítimas.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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