Política

Senado avança em projeto que restringe aborto legal para crianças estupradas

Proposta de Damares Alves suspende norma do Conanda que garante atendimento a vítimas infantis sem aval dos pais
Aborto legal para crianças estupradas: debate no Senado sobre proteção infantil

A Comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou nesta terça-feira (2) uma proposta que suspende a norma federal que garante aborto legal a crianças e adolescentes vítimas de estupro.

O projeto de decreto legislativo, que já passou pela Câmara dos Deputados em novembro de 2025, não precisa da sanção do presidente Lula para entrar em vigor — basta a aprovação do plenário do Senado.

A proposta suspende uma resolução do Conanda, editada em dezembro de 2024 e em vigor desde janeiro de 2025, que regulamenta o acesso de menores ao aborto legal e garante atendimento mesmo sem o consentimento dos pais em situações de risco.

O que a resolução do Conanda garante

A norma suspensa pela CDH define que a gestação em crianças e adolescentes representa risco à saúde física, psicológica e mental e que a interrupção legal da gestação constitui parte das ações de prevenção à morbidade e mortalidade.

A resolução assegura à vítima de estupro o direito a informações sobre a interrupção da gravidez de forma segura e protegida, garantindo autonomia mesmo na ausência dos responsáveis legais.

O texto determina que profissionais de saúde devem consultar a criança ou adolescente sobre a notificação dos pais. Se a presença deles puder causar danos físicos, mentais ou sociais e a menor tiver capacidade de decisão, o procedimento pode ser realizado sem consentimento parental.

A norma prevê ainda que os estados devem descentralizar os serviços de aborto legal, especialmente em regiões de difícil acesso, e que a criança tem direito a acompanhamento por integrante do Sistema de Garantia de Direitos durante todo o processo.

O argumento de Damares Alves

A relatora Damares Alves (Republicanos-DF), que preside a CDH, argumentou que a resolução relativiza prerrogativas legalmente asseguradas ao admitir decisões sobre interrupção da gestação sem a participação dos pais ou responsáveis legais.

Pela legislação brasileira, qualquer relação sexual com menor de 14 anos configura estupro de vulnerável, independentemente de consentimento.

A aprovação pela CDH cria uma contradição no próprio Senado: no dia anterior, o presidente Davi Alcolumbre havia anunciado a criação de uma CPI da Adultização para investigar crimes sexuais contra crianças — enquanto a comissão votava para suspender a norma que garante atendimento a essas mesmas vítimas.

O cenário estatístico amplia o debate. O Brasil registrou mais de 4.500 processos por estupro de vulnerável em 2025, média de 13 casos de violência sexual contra menores por dia — exatamente o contexto que a resolução do Conanda buscava endereçar ao garantir acesso ao aborto legal para vítimas infantis.

Próximos passos

O projeto ainda precisa ser votado pelo plenário do Senado. Se aprovado, a suspensão da resolução entra em vigor imediatamente, sem necessidade de sanção presidencial — mecanismo que retira do Executivo qualquer poder de barrar a medida. O presidente Lula, que já se manifestou contra restrições ao aborto legal, não teria como vetá-la.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Senado suspende norma que garantia aborto legal a crianças vítimas de estupro

Senado bloqueia acesso ao aborto legal enquanto 12 mil bebês nascem de crianças estupradas

Padilha promete cumprir lei de aborto após Congresso dificultar acesso para crianças

Entidades levam ao STF derrubada de norma que protege crianças vítimas de estupro

Senado derruba norma e dificulta aborto legal para meninas vítimas de estupro

Lula sanciona lei que veda relativização da vulnerabilidade em crimes de estupro infantil