A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou nesta sexta-feira (29) o reajuste máximo de 5,11% para planos de saúde individuais e familiares em 2026.
O percentual é o menor registrado desde 2000 — excetuando 2021, quando os preços recuaram por conta da queda no uso dos serviços durante a pandemia de Covid-19.
A medida vale para cerca de 7,7 milhões de beneficiários, equivalentes a 14,5% dos 52,9 milhões de usuários de planos médicos no Brasil, e cobre contratos firmados a partir de janeiro de 1999 ou adaptados à Lei nº 9.656/1998.
Abaixo do esperado pelo mercado
Analistas do Citi afirmaram que o índice aprovado “não é um bom sinal para enfrentar as persistentes pressões de custos do setor”. A estimativa inicial do banco era de alta de 7,8% — mais de dois pontos e meio acima do percentual definido pela ANS.
Para o UBS BB, o resultado reforça a desaceleração dos reajustes após o período pós-pandemia, mas a surpresa negativa — cerca de 1 ponto percentual abaixo do consenso — é “claramente negativa para as expectativas de crescimento de receita no segmento regulado”.
Para fins de comparação, o IPCA acumulou 4,39% em 12 meses até abril, enquanto o IPCA-15 registrou alta de 4,64% no mesmo período até maio. O reajuste aprovado supera ambos os índices, mas fica distante das projeções mais otimistas do setor.
O percentual aprovado pela ANS contrasta com as projeções para os planos coletivos: consultorias estimam reajustes de até 11% nos contratos empresariais em 2026, pressionados pelos custos crescentes com medicamentos de alto custo — o mesmo fator apontado pelo Citi como risco persistente para as margens do setor.
Ações do setor recuam na bolsa
As ações das principais operadoras registraram queda na B3 logo após o anúncio. Por volta das 12h50, os papéis da Hapvida recuavam 3,77%, enquanto Rede D’Or caía 2,2% e Bradsaúde cedia 2,56%.
A Hapvida foi apontada pelos analistas como a empresa mais exposta ao reajuste, com mais de 20% de suas receitas vinculadas a contratos individuais. Já a SulAmérica, controlada pela Rede D’Or, e a Bradsaúde devem ter impacto direto mais limitado.
O cenário preocupa o setor diante das pressões de custo persistentes. Segundo analistas, o baixo reajuste “amplia o risco de compressão de margens em toda a indústria, aumentando a importância do controle de custos, da integração vertical e da composição da carteira para diferenciar os vencedores dos perdedores relativos”.
Quanto à aplicação do percentual, a ANS informou que o reajuste só pode ser cobrado no mês de aniversário do contrato. Nos planos com aniversário em maio e junho, a cobrança poderá começar em julho ou agosto, com valores retroativos ao mês de renovação. O IPCA recuou para 0,67% em abril, segundo o IBGE — índice utilizado pela agência como um dos balizadores para definir o percentual aprovado.