O IPCA de abril ficou em 0,67%, desacelerando ante os 0,88% de março, segundo dados divulgados nesta terça-feira (12) pelo IBGE. A melhora mensal, no entanto, não impediu que o acumulado em 12 meses avançasse de 4,14% para 4,39%.
Os grupos Alimentação e bebidas e Saúde e cuidados pessoais responderam juntos por cerca de dois terços do resultado — 0,29 e 0,16 ponto percentual, respectivamente. No mesmo mês de 2025, o IPCA havia marcado 0,43%.
Alimentos em casa lideram as altas
O grupo Alimentação e bebidas subiu 1,34% em abril e acumula 3,44% de alta nos quatro primeiros meses de 2026 — o maior acumulado entre os grupos e a principal pressão sobre os bolsos dos brasileiros no ano.
Os alimentos consumidos no domicílio avançaram 1,64%, com destaque para itens do cotidiano. A alimentação fora do lar ficou 0,59% mais cara: os lanches desaceleraram levemente, de 0,89% para 0,71%, enquanto refeições como almoços e jantares aceleraram de 0,49% para 0,54%.
Medicamentos puxam saúde após reajuste
O grupo Saúde e cuidados pessoais subiu 1,16%, impulsionado pelos produtos farmacêuticos, que encareceram 1,77% após o governo autorizar reajuste de até 3,81% a partir de 1º de abril.
Artigos de higiene pessoal também pressionaram, com alta de 1,57%. O perfume foi o item de maior variação dentro dessa categoria, com aumento de 1,94%.
O resultado leva o IPCA acumulado em 12 meses a 4,39% — ainda abaixo dos 4,89% projetados pelo mercado financeiro para 2026, estimativa revisada para cima pela oitava semana consecutiva no boletim Focus divulgado há menos de dez dias.
A escalada do grupo alimentar ao longo de 2026 coincide com sinais de deterioração do humor doméstico. A pressão sobre itens essenciais tem custo social direto: a confiança do consumidor brasileiro caiu ao campo pessimista pela primeira vez em quase um ano em abril, com especialistas da Ipsos apontando a inflação de itens básicos como principal gatilho da piora.
Com Alimentação e bebidas acumulando 3,44% em apenas quatro meses e os medicamentos ainda absorvendo o impacto do reajuste de abril, esses dois grupos tendem a manter protagonismo nos índices dos próximos meses. O acumulado em 12 meses de 4,39% representa a maior marca desde o início do ano e reforça que a convergência à meta de inflação ainda exige atenção.
