Política

Servidor do INSS escondia R$ 287 mil em sacos de lixo, revela PF

Dinheiro estava em sacolas dentro de uma mala; esquema fraudulento causou prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões em aposentadorias
Investigação expõe fraude INSS com descontos indevidos em aposentadorias e bilhões em prejuízos

A Polícia Federal encontrou R$ 287 mil em espécie escondidos em sacos de lixo dentro de uma mala na casa de um servidor do INSS em Pernambuco, durante nova fase da Operação Sem Desconto deflagrada nesta quarta-feira (27).

A operação apura um esquema nacional que desviou recursos de aposentadorias e pensões entre 2019 e 2024, causando prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões. Beneficiários eram vinculados a entidades sem autorização e tinham mensalidades descontadas diretamente dos benefícios.

Operação mira três núcleos regionais do esquema

Além do dinheiro em espécie, forças de segurança apreenderam dois carros de luxo durante a ação. A PF e a Controladoria-Geral da União (CGU) cumpriram 31 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, com alvos no Distrito Federal, em São Paulo, Pernambuco e Paraíba.

Esta fase da investigação foca na atuação de três núcleos regionais do esquema. Em Garanhuns, no Agreste pernambucano, o foco recai sobre servidores e ex-servidores do próprio INSS. Entre os alvos também estão associações e seus dirigentes, investigados por constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e ocultação patrimonial.

Além das buscas, foram cumpridas oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico e outras medidas constritivas, como bloqueio de bens para assegurar o pagamento de eventuais dívidas reconhecidas pela Justiça.

A nova fase da Operação Sem Desconto também mira a fuga de patrimônio: investigadores identificaram que alvos estariam vendendo imóveis e bens de luxo abaixo do valor de mercado para liquidar o que possuem antes do encerramento das apurações.

STF no centro das investigações

O fato de os mandados desta fase terem sido emitidos pelo STF — e não por uma vara criminal comum — revela uma dimensão mais ampla do caso. Há duas semanas, a PF transferiu a investigação para a coordenação que apura políticos com foro privilegiado no Supremo, sinalizando que o esquema pode alcançar figuras com proteção constitucional.

O esquema funcionou entre 2019 e 2024. As suspeitas de descontos ilegais vieram a público em 23 de abril, após a primeira fase da operação. Associações vinculavam beneficiários sem qualquer consentimento, cobrando mensalidades que saíam diretamente dos benefícios do INSS — muitos aposentados só descobriram os descontos ao verificar os extratos.

A apreensão de R$ 287 mil em dinheiro vivo escondido em sacos de lixo dentro de uma mala ilustra como suspeitos buscavam ocultar recursos do esquema. Atos de dilapidação e ocultação patrimonial estão entre os crimes formalmente investigados nesta fase.

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