A Polícia Federal apontou, em relatório da Operação Sem Desconto entregue ao ministro do STF André Mendonça nesta sexta-feira (10), o repasse de pelo menos R$ 24,6 milhões a agentes públicos ligados ao INSS.
Segundo a corporação, a alta administração do órgão previdenciário e políticos essenciais recebiam propinas recorrentes, batizadas internamente com apelidos como ‘Heróis’, ‘Notáveis’ ou ‘Amigos’.
Repasses batizados internamente
O documento, que soma 48 indiciamentos, foi apresentado à PF na sexta-feira (10) e chega poucos dias depois de a corporação ter indiciado o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, por descontos indevidos em benefícios previdenciários.
Segundo a PF, os nomes dos beneficiários dos repasses apareciam nas prestações de contas feitas por Carlos Roberto Ferreira Lopes e por Cícero Marcelino de Souza Santos, ligados à Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). Lopes foi indiciado por organização criminosa, lavagem de dinheiro majorada e reiterada e corrupção ativa majorada.
Mensagens citam pagamento a ‘italiano’
Trocas de mensagens citadas no relatório mostram Carlos orientando Cícero a ‘depositar o cheque de 250k’ ao ‘italiano’ — codinome usado, segundo a PF, para se referir a Stefanutto. O episódio ocorreu em outubro de 2022, mesmo mês em que a corporação registrou contato direto do então presidente do INSS com o operador financeiro do esquema.
Próximos passos na Justiça
Com o relatório em mãos, o ministro André Mendonça vai remeter as conclusões à PGR, responsável por decidir se apresenta denúncia formal contra os indiciados, pede o arquivamento das investigações ou solicita novas diligências à PF.
A Operação Sem Desconto nasceu para apurar descontos associativos indevidos em benefícios do INSS, esquema que já obrigou o instituto a devolver R$ 3,2 bilhões a 4,7 milhões de segurados prejudicados. A própria PF classifica a investigação como em curso, com o documento indicando que o caso segue ‘em atualização’.
