Meio ambiente

STF valida lei da Ferrogrão e rejeita ação do PSOL

Plenário mantém alteração nos limites do Parque Nacional do Jamanxim; ferrovia liga Pará ao Mato Grosso
Fachada branca do STF contrasta com floresta amazônica vibrante do Parque Nacional Jamanxim; lei Ferrogrão validada

O Supremo Tribunal Federal validou nesta quinta-feira (21) a lei que modificou os limites do Parque Nacional do Jamanxim, no oeste do Pará, para viabilizar a construção da ferrovia Ferrogrão.

O plenário rejeitou a ação movida pelo PSOL, que contestava a constitucionalidade da norma sob o argumento de que ela excluiu cerca de 862 hectares de área protegida e violou direitos indígenas.

O relator, ministro Alexandre de Moraes, havia votado em outubro do ano passado pela validade da lei. Para ele, a medida provisória que deu origem à norma não reduziu área protegida — apenas fixou uma compensação ambiental que o Congresso acabou rejeitando.

Moraes destacou que 635 dos 977 km de ferrovia passam por um corredor já suprimido pela rodovia BR-163, o que limita o impacto sobre a vegetação nativa. Estudos apresentados ao STF apontam que a emissão de CO₂ pela ferrovia seria 50% menor do que a gerada pelo tráfego atual de caminhões.

“Não há agressão ao meio ambiente. Aqui está dentro do que a Constituição permite, estimula, um desenvolvimento sustentável. É 0,054% da área total. Desse percentual, 60% já estava sem vegetação em virtude da BR”, afirmou Moraes durante o julgamento.

O ministro Flávio Dino havia pedido vista em outubro, suspendendo a análise por meses. Nesta quinta, apresentou seu voto. O ministro Luís Roberto Barroso, antes de se aposentar, acompanhou o relator e propôs que o Poder Executivo possa compensar, por decreto, a área suprimida do parque.

A decisão ocorreu em contexto de pressão crescente sobre a região. Na véspera do julgamento, a Câmara havia aprovado projeto que reduz a Floresta Nacional do Jamanxim de 1,3 milhão para 814 mil hectares e recategoriza o território excluído como Área de Proteção Ambiental, abrindo caminho para usos econômicos mais amplos no mesmo território.

A Ferrogrão tem raízes no governo Dilma Rousseff (PT). O projeto consiste em uma ferrovia de 933 km conectando o Porto de Miritituba, no Pará, ao município de Sinop, no Mato Grosso, voltada ao escoamento de soja e milho do Centro-Oeste.

Após o impeachment de Dilma, em 2016, o projeto foi incorporado ao Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do governo Michel Temer (MDB). O então presidente publicou medida provisória, depois convertida em lei, que retirou 862 hectares do Parque Nacional do Jamanxim para acomodar os leitos da ferrovia EF-170 e da BR-163.

O PSOL argumentou que o uso de medida provisória para alterar áreas de unidades de conservação é inconstitucional. O partido também alegou que o traçado cruza território indígena. Do lado contrário, representantes do agronegócio defendem a ferrovia como estratégica para reduzir custos logísticos e diminuir a dependência do modal rodoviário.

Em abril, o projeto esteve no centro do debate político. O pré-candidato Aldo Rebelo usou a Ferrogrão como exemplo central ao propor um pacote de mudanças constitucionais para impedir que STF, Ibama e Funai bloqueiem obras de infraestrutura — num momento em que o TCU ainda mantinha suspensa a análise da concessão da ferrovia.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Senado aprova redução da Floresta do Jamanxim no Pará

Câmara reduz proteção da Floresta do Jamanxim e abre caminho para garimpo na Amazônia

STF dá 90 dias ao governo para desocupar terra indígena destruída no Pará

STF valida por unanimidade restrições a terras com controle estrangeiro

Calor extremo pode durar 4 horas a mais por dia até 2100, revela estudo

ABRAMPA propõe instrumentos econômicos para financiar unidades de conservação