O Nubank divulgou na quinta-feira (14) um lucro líquido de US$ 871,4 milhões no primeiro trimestre de 2026, valor 11% abaixo da projeção de US$ 980 milhões feita por analistas.
A receita, por outro lado, surpreendeu positivamente: US$ 5,3 bilhões, bem acima dos US$ 4,5 bilhões esperados pelo mercado.
O descompasso entre receita robusta e lucro aquém do previsto tem uma explicação central: a expansão acelerada da carteira de crédito obrigou a fintech a reforçar provisões de forma antecipada.
Carteira cresce 40% e exige provisões preventivas
A carteira de crédito total do Nubank cresceu 40% na comparação anual, chegando a US$ 37,2 bilhões. O diretor financeiro Guilherme Lago explicou à Reuters que o reforço das provisões foi feito de forma preventiva, como parte da gestão de risco diante do ritmo acelerado de concessões.
O índice de inadimplência entre 15 e 90 dias subiu de 4,1% para 5,0% no trimestre. Lago atribuiu o movimento à sazonalidade típica do primeiro trimestre — padrão histórico do setor — e não a uma deterioração estrutural na qualidade da carteira. Já a inadimplência acima de 90 dias caiu levemente, de 6,6% para 6,5%.
O cenário, porém, não é exclusivo da fintech. No mesmo período, o Bradesco viu seu custo de crédito saltar 26,5% ao ano, reflexo de um ambiente de estresse no varejo que pressiona toda a indústria bancária. Veja o resultado do Bradesco no 1T26.
A diferença de estratégia em relação aos grandes bancos tradicionais é marcante. Enquanto o Itaú, que lucrou R$ 12,3 bilhões no mesmo trimestre, optou por retrair 0,5% sua carteira de crédito diante dos juros elevados, o Nubank seguiu na direção oposta — acelerando 40% em 12 meses e aceitando o custo das provisões como preço do crescimento.
México no azul e freio nos Estados Unidos
Uma das novidades positivas do trimestre foi o desempenho no México. Com mais de 15 milhões de clientes, a operação mexicana do Nubank atingiu o ponto de equilíbrio pela primeira vez — marco relevante para uma empresa que opera no país desde 2019 e só agora equilibra receitas e custos locais.
Globalmente, a Nu Holdings fechou março com 135,2 milhões de clientes.
Nos Estados Unidos, a empresa sinaliza postura cautelosa. Os investimentos no mercado americano ficarão limitados a menos de 100 pontos-base do índice de eficiência consolidado em 2026 e 2027 — ritmo bem diferente da agressividade adotada no Brasil e no México.
O resultado do primeiro trimestre chega semanas depois de o Nubank anunciar um plano de investir R$ 45 bilhões no Brasil em 2026 — aposta agressiva no crédito que agora começa a se refletir no crescimento acelerado da carteira e no reforço antecipado das provisões.