O Itaú Unibanco encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido recorrente de R$ 12,28 bilhões, alta de 10,4% frente ao mesmo período de 2025. O número ficou ligeiramente abaixo da estimativa média de analistas da LSEG, que projetavam R$ 12,5 bilhões.
O CEO Milton Maluhy destacou que o ano começou com um cenário que exige disciplina no crédito. A postura se reflete nos números: a carteira cresceu 7,2% no ano, mas recuou 0,5% no trimestre, sinalizando seletividade diante dos juros elevados.
A margem financeira do banco chegou a R$ 32,3 bilhões no trimestre, crescimento de 4% na comparação anual. O retorno sobre patrimônio líquido (ROE) atingiu 24,8% — acima dos 22,5% de um ano antes e dos 24,4% do quarto trimestre de 2025. No Brasil, o ROE foi de 26,4%, superando a projeção dos analistas de 24,29%.
O “produto bancário” — indicador que reúne margem financeira, receitas de serviços e os segmentos de seguros, previdência e capitalização — somou R$ 46,8 bilhões, alta de 4,5% no ano e queda de 1,7% no trimestre.
Carteira de crédito e inadimplência
A carteira de crédito totalizou R$ 1,48 trilhão ao final de março. Na comparação anual, pessoas físicas cresceram 6,8%; micro, pequenas e médias empresas avançaram 10,9%; e grandes empresas registraram alta de 6,9%. Excluindo o efeito cambial, o crescimento total foi de 9% no ano.
O custo do crédito subiu 4,5% no ano e 2,5% no trimestre, somando R$ 9,95 bilhões. A inadimplência acima de 90 dias permaneceu em 1,9%, estável tanto no trimestre quanto no acumulado anual. O índice entre 15 e 90 dias ficou em 1,7%, ante 1,6% no quarto trimestre de 2025.
O NPL Creation — volume de crédito que migrou para inadimplência acima de 90 dias — manteve-se em 0,7% da carteira, somando R$ 9,69 bilhões, com queda na comparação trimestral e relativa estabilidade entre os segmentos.
Na véspera da divulgação do balanço, o governo federal lançou o Novo Desenrola, programa de renegociação de dívidas voltado a famílias, micro e pequenas empresas e agricultores familiares. A iniciativa responde ao quadro de alto endividamento da população — contexto que o Itaú monitora de perto em sua política de crédito.
O ambiente que Maluhy chama de disciplina no crédito tem número e rosto: o rotativo do cartão avançou 9,7% no primeiro trimestre, atingindo R$ 110 bilhões, com inadimplência de 63,5% e juros de 428% ao ano — pressão que explica a cautela do banco na expansão do portfólio de pessoas físicas.
O Itaú manteve o guidance divulgado em fevereiro: expansão de 5,5% a 9,5% da carteira total e de 6,5% a 10,5% no Brasil em 2026, com custo de crédito entre R$ 38,5 bilhões e R$ 43,5 bilhões. O banco encerrou março com ativos de quase R$ 3,2 trilhões, índice de Basileia de 14,8% e eficiência de 37,1%.
O balanço foi divulgado semanas após o Itaú anunciar a contratação de Diogo Guillen, ex-diretor de Política Econômica do Banco Central, como novo economista-chefe a partir de julho. A rede física do banco também seguiu enxugando: eram 2.367 agências e pontos de atendimento em março, ante 2.795 no mesmo período de 2025.
