A Caixa Econômica Federal encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido recorrente de R$ 3,5 bilhões — queda de 34,4% em relação ao mesmo período de 2025.
O principal fator de pressão foram as provisões para perdas com inadimplência, que saltaram 211,5% em um ano e chegaram a R$ 6,51 bilhões.
Na comparação com o último trimestre de 2025, o lucro avançou 25,4%, sinalizando recuperação parcial no início do ano.
Carteira de crédito cresce, mas inadimplência acelera
A expansão dos negócios não foi suficiente para sustentar o lucro. A carteira de crédito da Caixa chegou a R$ 1,41 trilhão, alta de 11,3% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Os financiamentos imobiliários puxaram o crescimento, com expansão de 13,9%, enquanto a carteira do agronegócio avançou 2,2%.
Do outro lado da equação, o índice de inadimplência acima de 90 dias subiu para 3,71% — alta de 1,22 ponto percentual em um ano. Para cobrir o risco crescente, o banco elevou as provisões para devedores duvidosos em 211,5%, chegando a R$ 6,51 bilhões, principal fator que corroeu o resultado do período.
O Índice de Basileia, que mede a solidez financeira de uma instituição, ficou em 15,1%, levemente abaixo dos 15,3% registrados no mesmo trimestre de 2025.
O cenário não é exclusivo da Caixa: o Banco do Brasil também registrou queda de 53,5% no lucro ajustado no mesmo período, com provisões bilionárias pressionando os dois bancos estatais simultaneamente.
O estresse no crédito tem raízes no endividamento das famílias. No mesmo trimestre, o saldo do rotativo do cartão de crédito atingiu R$ 110 bilhões a juros de 428% ao ano, com cerca de 40 milhões de brasileiros endividados na modalidade.
Margem financeira avança e consignado lidera crédito pessoal
Apesar do resultado pressionado, a margem financeira da Caixa somou R$ 18,3 bilhões no trimestre, com alta de 11,8% em relação ao mesmo período de 2025 e de 4,2% frente ao trimestre anterior, impulsionada pelas receitas de operações de crédito.
No crédito comercial, a carteira de pessoas físicas totalizou R$ 154,9 bilhões, alta de 10,4%. O crédito consignado respondeu por 73,7% desse total, com saldo de R$ 114,2 bilhões. Já a carteira de pessoas jurídicas somou R$ 114,3 bilhões, avanço de 8,8%. O banco também destacou o crédito ao trabalhador, que atingiu R$ 5,1 bilhões no período.
O contraste com o setor privado é revelador: enquanto os bancos estatais enfrentam queda nos resultados, o Itaú avançou 10,4% no lucro no mesmo trimestre, expondo trajetórias opostas entre instituições públicas e privadas nos primeiros meses de 2026.
