A Petrobras vai elevar o preço da gasolina em breve. A presidente da estatal, Magda Chambriard, confirmou o reajuste nesta terça-feira (12), mas com ressalva: a alta precisa ser calibrada para não tornar o etanol mais vantajoso nos postos.
“Vai acontecer já um aumento de preço da gasolina, mas nós temos que ter certeza que esse mercado almejado continua nosso”, afirmou a executiva.
O temor da companhia é que uma elevação muito forte faça consumidores de carros flex migrarem para o biocombustível, reduzindo as vendas de gasolina e a receita da estatal.
Defasagem e etanol: o nó da Petrobras
O dilema é real. O etanol recuou de preço nos últimos 15 dias, impulsionado pelo início da safra de cana-de-açúcar e pelo avanço da produção. Com o biocombustível mais barato, motoristas de carros flex têm mais razão para abandonar a gasolina no posto — e quanto maior o reajuste, maior essa migração.
O problema é que a defasagem acumulada já não pode ser ignorada. No dia anterior ao anúncio, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, havia admitido que a Petrobras precisa “ir reavaliando” os preços — com o diesel acumulando defasagem de 30% e a gasolina, de 65% em relação ao mercado internacional.
A equação é clara: adiar o reajuste aprofunda as perdas financeiras da estatal, mas acelerar demais pode encolher sua fatia no mercado de combustíveis.
Duas semanas antes, a própria Chambriard havia descrito uma saída para amortecer o impacto: o reajuste nas refinarias poderia ser absorvido sem chegar ao consumidor final, caso o Congresso aprovasse o corte de PIS e Cofins sobre combustíveis. A medida tributária, porém, ainda aguarda votação.
Mistura obrigatória pode aumentar e complicar o cenário
O xadrez energético da Petrobras tem mais uma peça em movimento. O governo estuda elevar a mistura obrigatória de etanol na gasolina de 30% para 32%, o que ampliaria estruturalmente a fatia do biocombustível no abastecimento nacional e reduziria a dependência da gasolina fóssil — independentemente do preço praticado nos postos.
Se aprovada, a medida forçaria a estatal a revisar suas projeções de mercado. Com mais etanol na composição obrigatória da gasolina comum, sobra menos espaço para o produto das refinarias da Petrobras nas bombas.
Para o consumidor com carro flex, a lógica permanece simples: quando o etanol custa menos de 70% do preço da gasolina, o biocombustível é a opção mais econômica. Com a safra de cana em curso e os preços do álcool em queda, esse cálculo merece atenção na hora de abastecer.
