O CEO da OpenAI, Sam Altman, transformou sua própria defesa em ofensiva nesta terça-feira (12) ao testemunhar no tribunal federal de Oakland, na Califórnia. Em vez de apenas negar as acusações de Elon Musk, ele revelou que o bilionário chegou a exigir uma participação de 90% da empresa — e que a ação judicial seria fruto do arrependimento de ter deixado a companhia.
O julgamento, já na terceira semana, pode definir o destino da OpenAI e de seus dirigentes num momento em que a companhia planeja abrir capital com valuation estimado em até US$ 1 trilhão.
A exigência de 90% e a recusa da fusão com a Tesla
Segundo Altman, Musk não apenas conhecia os planos de transformar a OpenAI em entidade com fins lucrativos — criada formalmente em março de 2019 — como estava longe de se opor a eles. Questionado sobre a posição do bilionário frente ao modelo comercial, o CEO respondeu: “muito pelo contrário”.
Altman detalhou que Musk chegou a demandar 90% de participação acionária na companhia, exigência que o deixou “extremamente desconfortável”. Mesmo após o bilionário reduzir suas demandas, Altman disse reconhecer o padrão pelo histórico com startups. Ele citou a SpaceX como exemplo desse modelo de controle permanente — onde fundadores de empresas bem-sucedidas consolidam o poder para nunca perdê-lo.
Altman também rejeitou a proposta de fusão da OpenAI com a Tesla. “Acho que não teríamos a capacidade de garantir que nossa missão fosse cumprida”, afirmou. “Fundamentalmente, a Tesla precisa atender a seus clientes e vender carros.”
Em ação aberta em agosto de 2024, Musk acusa Altman e o cofundador Greg Brockman de terem convencido ele a doar US$ 38 milhões para a OpenAI quando ela ainda era sem fins lucrativos — e depois desviarem a empresa de sua missão original. A defesa da OpenAI sustenta versão oposta: Musk processa a empresa porque se arrepende de ter perdido possíveis riquezas.
xAI quis comprar a OpenAI enquanto Musk a processava
O presidente do conselho da OpenAI, Bret Taylor, revelou em juízo que a xAI, empresa rival de Musk, fez uma oferta formal de aquisição da organização sem fins lucrativos da OpenAI em fevereiro de 2025 — seis meses após Musk ter aberto o processo. “Essa proposta era para adquirir essa organização sem fins lucrativos por um grupo de investidores com fins lucrativos, o que parecia contraditório com o espírito da ação judicial”, disse Taylor.
Na semana anterior ao depoimento de Altman, o próprio Musk havia admitido em juízo que a xAI usou tecnologia da OpenAI para treinar o Grok — revelação que escancarou a contradição entre sua ação judicial e suas próprias práticas.
Musk pede cerca de US$ 150 bilhões em indenizações da OpenAI e da Microsoft, além do afastamento de Altman e Brockman. Outros depoimentos foram prestados por Ilya Sutskever, ex-cientista-chefe da OpenAI, que disse ter passado cerca de um ano documentando o que chamou de “padrão consistente de mentiras” de Altman, e pelo CEO da Microsoft, Satya Nadella, que classificou o investimento de sua empresa na OpenAI como “risco calculado”. A OpenAI afirma ter captado US$ 175 bilhões de investidores privados ao longo de sua existência.
Os depoimentos devem ser concluídos ainda nesta semana. Os jurados poderão começar a deliberar sobre a responsabilidade dos réus até 18 de maio, com a juíza Yvonne Gonzalez Rogers determinando as medidas finais.
