Economia

Durigan abre caminho para reajuste da Petrobras e cobra voto urgente no Congresso

Ministro da Fazenda admite defasagem de até 65% na gasolina e pede aprovação imediata de PL que usa receitas do petróleo para cortar tributos
Durigan e reajuste combustíveis Petrobras: defasagem de preços sob debate no Congresso Nacional

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, admitiu nesta segunda-feira (11) que a Petrobras precisa “ir reavaliando” os preços dos combustíveis no Brasil diante da disparada do petróleo causada pela guerra no Oriente Médio.

A declaração foi feita após encontro com a presidente da estatal, Magda Chambriard, em Brasília. Segundo a Abicom, o diesel acumula defasagem de 30% e a gasolina, de 65% em relação aos preços internacionais.

Ao mesmo tempo, Durigan cobrou aprovação urgente de um projeto de lei que permite cortar impostos sobre combustíveis usando receitas extraordinárias do petróleo — sem necessidade de compensar com novos tributos.

Defasagem e responsabilidade

Questionado sobre se a Petrobras poderia sustentar a defasagem por mais tempo, Durigan desviou a resposta: disse tratar-se de um “tema da Petrobras”. A declaração sinaliza que o governo não pretende interferir diretamente na política de preços da companhia — ao menos não publicamente —, mas reconhece a pressão crescente sobre o mercado doméstico.

O Brasil é controlador da Petrobras, que também tem ações negociadas na Bolsa de Valores. Qualquer decisão de reajuste envolve, portanto, interesses tanto do governo quanto de acionistas privados.

O projeto que pode destravar o reajuste

O PL complementar enviado pelo governo ao Congresso autoriza que receitas extraordinárias geradas pelo aumento das cotações do petróleo sejam convertidas em reduções de PIS/Cofins e Cide-gasolina sobre diesel, gasolina, etanol e biodiesel. O projeto foi enviado em 23 de abril e prevê que a receita com royalties cubra a renúncia fiscal — sem impacto no orçamento, segundo o governo.

O raciocínio foi explicado pelo ministro do Planejamento, Bruno Moretti: como o Brasil é produtor e exportador de petróleo, a arrecadação pública cresce quando o preço sobe — por meio de royalties e participações governamentais. Esse excedente seria então repassado ao consumidor via corte de tributos.

Mecanismo já havia sido sinalizado pela CEO da Petrobras

Com a redução de PIS e Cofins, a Petrobras teria espaço para reajustar preços nas refinarias sem que o custo chegue ao consumidor final — foi o que a CEO Magda Chambriard já havia explicado ao mercado semanas antes do encontro com Durigan.

A lógica é direta: se o governo corta tributos, a estatal pode elevar o preço ao produtor e alinhar ao mercado internacional sem onerar o bolso dos brasileiros na bomba. Isso daria fôlego à Petrobras sem provocar inflação imediata nos combustíveis.

O que está em jogo agora é o timing. Durigan cobrou votação do PL ainda nesta semana, sinalizando que o governo avalia o cenário como urgente. Quanto maior a defasagem, maior o risco de pressão sobre acionistas para forçar um reajuste sem a cobertura tributária.

Para o consumidor, a aprovação do projeto seria a diferença entre pagar mais na bomba — caso o reajuste venha sem corte de impostos — ou manter o preço relativamente estável, com o governo absorvendo parte do choque via renúncia fiscal sobre os royalties do petróleo.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Escravizados pouparam a liberdade em cadernetas guardadas pela Caixa

Governo busca reduzir impacto da reforma tributária sobre companhias aéreas

MPF tenta barrar maior leilão de energia do Brasil por risco bilionário nas tarifas

Fies libera renegociação de dívidas com descontos de até 99%