O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou neste sábado (18) os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU como ‘senhores de guerra’. O discurso ocorreu em Barcelona, na Espanha, durante a 1ª Reunião de Mobilização Progressista Global.
Ao citar nominalmente EUA, Reino Unido, China, Rússia e França, Lula foi ovacionado pela plateia. O evento busca articular lideranças internacionais em torno do fortalecimento da democracia e do multilateralismo.
O veto que paralisa
O Conselho de Segurança da ONU é composto por cinco membros permanentes — EUA, Reino Unido, China, Rússia e França — e dez países com assentos rotativos. O poder de veto dos permanentes permite bloquear qualquer resolução, independentemente do apoio dos demais membros.
Para Lula, essa arquitetura transformou o órgão no maior obstáculo à paz multilateral. Ao nomear cada um dos cinco países em seu discurso, o presidente foi ovacionado — um gesto que, por si só, comunica a temperatura do debate entre lideranças progressistas globais.
A 1ª Reunião de Mobilização Progressista Global, segundo os organizadores, quer criar uma rede internacional capaz de responder ao avanço do autoritarismo e ao enfraquecimento das instituições multilaterais. O encontro reuniu líderes de vários países em torno dessa agenda em Barcelona.
A fala não saiu do nada. Dias antes do discurso em Barcelona, Lula havia revelado à imprensa alemã que tentou articular com China, Rússia e França uma reunião do Conselho de Segurança sobre o Irã — e que ninguém deu ouvidos. A frustração com os bastidores da diplomacia multilateral explica a dureza do tom adotado na Espanha.
No mesmo discurso, Lula também confrontou Trump sobre a posição americana em relação à África do Sul e lamentou o enfraquecimento da ONU como instituição. O conjunto das declarações traça um painel de ofensiva diplomática calculada, com o Brasil buscando se posicionar como voz do Sul Global diante da crise de governança internacional.
A sequência de críticas públicas aos membros permanentes revela uma disposição crescente de Lula em nomear os obstáculos à paz multilateral — e em construir capital político além das fronteiras brasileiras.
