A Organização Mundial da Saúde confirmou nesta sexta-feira (8) seis casos de hantavírus a bordo do MV Hondius, cruzeiro de bandeira holandesa que navega pelo Atlântico. Outros dois casos permanecem sob investigação.
Três passageiros morreram em decorrência da doença: um casal holandês e uma mulher alemã. Ao todo, cerca de 150 pessoas estão a bordo da embarcação.
A OMS avalia o risco para a população mundial como baixo e informou que continuará monitorando a evolução epidemiológica do surto.
Cepa andina: a única capaz de se transmitir entre humanos
O surto foi provocado pela cepa andina do hantavírus, a única variante da doença conhecida por permitir transmissão direta de pessoa para pessoa. Em condições normais, o vírus circula entre roedores e raramente infecta humanos — o que torna o episódio a bordo do MV Hondius um caso altamente atípico.
Na quinta-feira, a OMS havia confirmado cinco casos ligados ao cruzeiro — incluindo, pela primeira vez, suspeitos que jamais estiveram a bordo do MV Hondius, indício de que o vírus pode ter se propagado para além do navio.
A hipótese de transmissão inter-humana durante a própria viagem já era investigada desde quando a embarcação estava ancorada em Cabo Verde, incapaz de atracar — contexto que levou a OMS a suspeitar do espalhamento entre passageiros ainda no início da crise.
Chegada a Tenerife e repatriação dos passageiros
O MV Hondius deve ancorar no domingo na ilha espanhola de Tenerife, nas Ilhas Canárias. A chegada representa uma reviravolta: na quarta-feira, o governo das Canárias havia recusado categoricamente a entrada do navio no arquipélago em razão do surto.
Após o desembarque, voos especiais serão organizados para transportar passageiros e tripulantes de volta a seus países de origem. A OMS afirmou que continuará atualizando sua avaliação de risco à medida que novas informações forem disponibilizadas.
