Economia

Fintech Naskar é investigada por sumir com ao menos R$ 335 mi de clientes no DF

App fora do ar, pagamentos bloqueados e silêncio: empresa acumula quatro boletins e ação judicial milionária
Congresso Nacional de Brasília durante investigação da fintech Naskar no DF

A fintech Naskar Gestão de Ativos virou alvo da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) após clientes relatarem bloqueio de investimentos, queda do aplicativo e silêncio total da companhia.

Ao menos quatro boletins de ocorrência foram abertos entre quinta (7) e sexta-feira (8 de maio) em delegacias distintas. Duas empresas parceiras estimam prejuízo de ao menos R$ 335 milhões — e toda a operação pode chegar a R$ 850 milhões.

Pagamentos bloqueados e app fora do ar

O colapso da Naskar surgiu de forma abrupta. Os repasses previstos para a segunda-feira (4 de maio) não foram realizados, e o aplicativo por onde clientes consultavam saldos e solicitavam resgates saiu do ar sem qualquer aviso prévio.

Wesley Miranda Albuquerque, sócio-administrador de uma empresa de planejamento financeiro em Brasília, foi um dos primeiros a formalizar a denúncia. Cerca de 135 clientes sob sua indicação investiram aproximadamente R$ 47 milhões na Naskar ao longo da parceria. Nesta semana, representantes da companhia passaram a ignorar mensagens, ligações e notificações jurídicas, sem dar qualquer explicação sobre os valores ou prazo para regularização.

O Grupo Nexco ajuizou ação cautelar contra a Naskar Holding após os atrasos que a empresa classificou como inéditos. A Nexco estima que cerca de 1.250 clientes, colaboradores e pessoas ligadas à sua base foram afetados, com prejuízo de aproximadamente R$ 288 milhões. Os instrumentos firmados com a Naskar são contratos de mútuo — modalidade de empréstimo civil prevista no Código Civil —, não produtos financeiros regulados pelo mercado de capitais.

Considerando toda a operação da Naskar, o Grupo Nexco estima R$ 850 milhões em contratos de mútuo, com impacto potencial sobre mais de 2.700 pessoas.

Nota sem prazo e pressão crescente no Reclame Aqui

A Naskar divulgou nota informando que iniciou um processo interno de auditoria após identificar “inconsistências em sua base de dados”. Clientes seriam atualizados “o mais breve possível” — sem prazo definido, sem explicação sobre a origem do problema e sem previsão de retorno do aplicativo.

No Reclame Aqui, clientes de diferentes estados registraram queixas sobre a indisponibilidade da plataforma e a ausência de qualquer comunicação oficial. “Até o presente momento, não houve qualquer comunicado oficial por parte da Naskar que justificasse o bloqueio dos valores ou que apresentasse um cronograma de devolução”, registra uma das reclamações.

O Grupo Nexco ressalta que, antes da crise, não havia identificado em registros públicos nenhum sinal de irregularidade na operação. Nem o Procon nem o Ministério Público tinham emitido alertas sobre a empresa. Diretores e colaboradores da própria Nexco figuram entre os prejudicados.

“O problema deixou de ser apenas um atraso e passou a ser uma crise de confiança e de informação”, afirmou Kauê Machado, do escritório Machado Gobbo, que representa o grupo e parte dos clientes afetados. A empresa diz que manterá os afetados informados dentro dos limites do processo judicial e que a divulgação do caso busca alertar o mercado para evitar novas vítimas.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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