Política

Culto vira palanque político e Malafaia enfrenta pedido de inelegibilidade de Flávio Bolsonaro

Movimento Brasil Laico acusa pastor de usar estrutura de 149 templos para impulsionar pré-candidatura presidencial em 2026
Pastor Silas Malafaia e Flávio Bolsonaro em contexto de propaganda eleitoral antecipada culto, STF ao fundo

Uma celebração da Santa Ceia na sede da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), no Rio de Janeiro, tornou-se palco de lançamento político no último domingo (3). O pastor Silas Malafaia interrompeu a liturgia para convocar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao altar e anunciar apoio à sua pré-candidatura à Presidência em 2026.

A Associação Movimento Brasil Laico reagiu protocolando representação no Ministério Público Eleitoral do Rio de Janeiro. O grupo pede a inelegibilidade de Malafaia e Flávio Bolsonaro por oito anos, além de multas de até R$ 25 mil por participante.

O ato no altar e a acusação jurídica

Malafaia chamou ao altar Flávio Bolsonaro, o ex-governador Cláudio Castro (PL) e o presidente da Alerj, Douglas Ruas (PL). Conduziu uma oração coletiva nominativa pelos políticos e afirmou que “chegou o tempo” de apoiar o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, recorrendo a passagens bíblicas para justificar a escolha. O momento selou publicamente uma reconciliação após meses de atritos em que o pastor questionava a “musculatura política” do senador.

A representação enquadra o evento como propaganda eleitoral antecipada em bem de uso comum e aponta abuso de poder religioso e econômico. O argumento central é que o culto foi desviado de sua função espiritual para servir de instrumento de campanha, valendo-se da estrutura da ADVEC — que conta com 149 templos no Brasil.

A ação é dirigida contra Malafaia, a própria ADVEC e cinco pré-candidatos que subiram ao altar. O documento pede a preservação dos vídeos do evento como prova e solicita que a Receita Federal investigue possível desvio de finalidade da instituição — o que poderia comprometer sua imunidade tributária constitucional.

O pastor chegou ao evento já na condição de réu: semanas antes da celebração, a Primeira Turma do Supremo aceitou a denúncia da PGR contra ele por injúria ao general Tomás Paiva, comandante do Exército.

Ataques ao STF e movimentos de pré-campanha

O culto também foi marcado por ataques de Malafaia ao Supremo Tribunal Federal e ao ministro Alexandre de Moraes. O pastor classificou o inquérito das fake news como “imoral” e afirmou ser vítima de perseguição política. Flávio Bolsonaro aproveitou o espaço para reforçar sua aliança com o setor evangélico.

O senador chega ao evento com a própria agenda jurídica em aberto: em abril, Alexandre de Moraes abriu inquérito contra Flávio Bolsonaro por calúnia ao presidente Lula em postagem no X.

O culto na ADVEC tampouco foi a estreia da semana em movimentos de pré-campanha. Dias antes, Flávio Bolsonaro havia aparecido ao lado de Tarcísio de Freitas na Agrishow, em Ribeirão Preto, numa aparição que consolidou a aliança da direita para 2026.

Se o Ministério Público Eleitoral acolher os pedidos, Malafaia e o senador poderão ficar impedidos de concorrer a cargos públicos por oito anos — cenário que retiraria Flávio Bolsonaro da disputa presidencial antes mesmo de sua candidatura ser formalizada.

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