Política

STF aceita denúncia contra Silas Malafaia por injúria ao comandante do Exército

Pastor vira réu após ofensas ao general Tomás Paiva em ato bolsonarista na Paulista
Silas Malafaia réu no STF em confronto judicial com autoridades militares e institucionais brasileiras

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal tornou o pastor Silas Malafaia réu nesta terça-feira (28) ao receber denúncia da Procuradoria-Geral da República pelo crime de injúria contra o general Tomás Paiva, comandante do Exército.

As declarações foram feitas em manifestação de apoiadores de Jair Bolsonaro na Avenida Paulista, em São Paulo, em abril de 2025. Com o recebimento da denúncia, Malafaia passará a responder a um processo penal no STF.

Votação dividida na Primeira Turma

A PGR pediu a abertura de ação penal pelos crimes de calúnia e injúria, afirmando ser evidente o propósito de Malafaia de constranger e ofender publicamente os oficiais-generais do Exército. O órgão também defendeu, em caso de condenação, a soma das penas e a fixação de indenização por danos morais.

O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, havia votado no plenário virtual, em março, para receber a denúncia quanto aos dois crimes. Um pedido de vista do ministro Cristiano Zanin suspendeu o julgamento, que foi pautado para sessão presencial.

Na retomada, Zanin aceitou a acusação apenas pelo crime de injúria e rejeitou a denúncia por calúnia. A ministra Cármen Lúcia acompanhou Zanin, enquanto o ministro Flávio Dino seguiu a linha de Moraes. O empate resultou no desfecho mais favorável ao acusado: somente a injúria foi recebida.

A defesa de Malafaia argumentou que o caso não deveria ser julgado pelo STF e que não houve crime nas declarações do pastor, pedindo a rejeição integral da denúncia.

Contexto e próximos passos

As falas que motivaram a ação penal foram proferidas em ato realizado na Avenida Paulista com apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. O discurso foi dirigido diretamente ao general Tomás Paiva, que comanda o Exército Brasileiro.

O julgamento ocorre em semana politicamente movimentada. Na quinta-feira (30), o Congresso Nacional deve analisar os vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao chamado PL da Dosimetria — proposta aprovada pelo Legislativo que previa redução de penas e foi sancionada com ressalvas em janeiro deste ano.

Como réu, Malafaia terá direito à ampla defesa ao longo do processo penal. A eventual condenação pelo crime de injúria pode resultar em pena de detenção e no pagamento de indenização, conforme requerido pela PGR na denúncia.

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