O petróleo Brent subia 1,48% nesta sexta-feira (1º), negociado a US$ 112,03 o barril, enquanto o WTI americano avançava para US$ 105,19. O conflito com o Irã já levou as cotações de cerca de US$ 70 — patamar pré-guerra — a picos acima de US$ 110.
O cessar-fogo de três semanas perdeu força depois que o líder supremo iraniano descartou qualquer recuo nas capacidades nucleares e de mísseis do país. A declaração esvazia expectativas de acordo e mantém o mercado global de energia sob pressão intensa.
Trajetória de alta e papel de Trump
A acomodação desta sexta sucede uma quinta-feira de forte volatilidade. O Brent chegou a US$ 114,70, recuou a cerca de US$ 107 e encerrou o dia em US$ 110,40. No pico do conflito, o barril bateu US$ 119,50 — mais de 70% acima do valor pré-guerra, que girava em torno de US$ 70.
A escalada foi alimentada por movimentos políticos de Washington. Quando Trump sinalizou a manutenção indefinida do bloqueio aos portos iranianos, o mercado reagiu com forte alta, intensificando a pressão sobre as cotações.
O ciclo de tensão ganhou novo impulso quando Trump cancelou a missão de seus enviados e deixou nas mãos de Teerã a iniciativa de retomar o contato, empurrando o Brent acima de US$ 108.
Na origem do impasse está a reversão iraniana sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, que eliminou as expectativas de resolução rápida e selou a trajetória de alta nos preços globais de energia.
Com o estreito ainda sob ameaça, Washington avalia alternativas para garantir o escoamento de petróleo e gás pela rota que concentra boa parte do comércio energético mundial.
Bolsas divididas e resultados corporativos
Com a maioria dos mercados fechados pelo feriado do Dia do Trabalhador, o movimento nas bolsas globais foi limitado nesta sexta. Em Londres, o FTSE 100 cedeu 0,6%. No Japão, o Nikkei subiu 0,7%, e o S&P/ASX 200, na Austrália, avançou 0,9%.
Nos Estados Unidos, os contratos futuros operavam em leve alta após uma sessão histórica na véspera. O S&P 500 avançou 1% e marcou novo recorde, o Dow Jones subiu 1,6% e o Nasdaq também renovou sua máxima histórica.
O impulso veio em parte dos balanços corporativos. A Alphabet disparou 10% ao superar projeções de lucro. Do lado negativo, a Meta caiu 8,7% com a perspectiva de gastos crescentes em inteligência artificial, e a Microsoft também recuou após elevar suas estimativas de investimento.
No campo macroeconômico, dados recentes indicam que a economia americana desacelerou no início do ano, com a inflação avançando em março. Um sinal positivo veio dos pedidos de seguro-desemprego, que caíram — indicando redução no ritmo de demissões.
