O petróleo Brent rompeu a barreira dos US$ 125 por barril na madrugada desta quinta-feira (30), impulsionado por sinalizações do presidente americano Donald Trump de que os EUA manterão o bloqueio aos portos iranianos — e, com ele, o fechamento do Estreito de Ormuz.
O contrato de junho avançou 6,2%, chegando a US$ 125,36. Antes da guerra, no fim de fevereiro, o barril era negociado em torno de US$ 70 — alta de quase 80% em apenas dois meses de conflito.
Em sua nona semana, a guerra no Irã segue sem perspectiva de desfecho. O Estreito de Ormuz permanece fechado, e o impasse nas negociações entre Washington e Teerã removeu do mercado qualquer expectativa de resolução rápida.
Relatórios divulgados na quarta-feira (29) apontavam para uma possível escalada por parte de Trump, dissipando leituras mais otimistas que circulavam nos dias anteriores. O contrato futuro de julho subiu 3,1%, para US$ 113,85, e o petróleo de referência americano avançou 2,3%, para US$ 109,38 por barril.
Há dez dias, o Brent já havia disparado 7% quando o Irã reverteu a promessa de reabrir o Estreito de Ormuz, inaugurando o ciclo de escaladas que levou a cotação ao nível atual. Na segunda-feira, o colapso das conversas em Islamabad empurrou o barril acima de US$ 108 após Trump cancelar a viagem de seus enviados e retirar a iniciativa de contato com Teerã.
Por algumas métricas, o Brent já se aproxima do recorde histórico de US$ 147,50, registrado em 2008 durante a crise financeira global. O bloqueio naval americano, anunciado em 13 de abril após o colapso de uma rodada de negociações, foi o ponto de partida para a trajetória de alta que hoje ameaça os limites históricos do barril.
O choque de oferta gerou reação imediata nos mercados financeiros globais. O dólar americano subiu para 160,51 ienes japoneses — nível mais alto em quase dois anos —, beneficiado pelo seu status de porto seguro e pelas taxas de juros relativamente elevadas nos EUA.
O Federal Reserve decidiu manter as taxas estáveis em sua reunião de quarta-feira, confirmando que o combate à inflação gerada pela guerra ainda pesa mais do que a necessidade de estimular a economia. O euro recuou levemente, de US$ 1,1675 para US$ 1,1663, e analistas avaliam que o Japão poderá intervir no mercado cambial caso o iene siga se desvalorizando.
Mercados asiáticos pressionados
As bolsas da Ásia operaram majoritariamente no vermelho. O Nikkei 225 recuou 1,6%, para 58.967 pontos; o Kospi sul-coreano perdeu 1,1%; e o Hang Seng de Hong Kong cedeu 1,3%. A exceção foi o índice de Xangai, que subiu 0,1%, apoiado em dados que mostraram a atividade fabril chinesa em expansão pelo segundo mês seguido em abril, apesar do choque energético global provocado pela guerra no Irã.
Em Wall Street, o S&P 500 fechou quase estável (-0,1%), o Dow Jones recuou 0,6% e o Nasdaq avançou marginalmente. O rendimento do Tesouro americano de 10 anos subiu de 4,36% para 4,42% após o Fed confirmar o adiamento dos cortes de juros.
