Um assessor parlamentar invadiu ao vivo o programa Estúdio i, da GloboNews, na tarde desta quinta-feira (30), durante entrevista com líderes da Câmara sobre a derrubada do veto de Lula ao PL da Dosimetria.
Bernardo Moreira Amado Barros, servidor do gabinete do deputado André Janones (Rede-MG), tomou o microfone da jornalista, proferiu um xingamento e pediu a reeleição de Lula — tudo transmitido ao vivo.
Horas depois, o presidente da Câmara, Hugo Motta, assinou a exoneração do servidor por meio de edição extra do Diário Oficial da União.
A invasão ocorreu nos minutos finais do Estúdio i durante entrevista conjunta com o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição na Câmara, e Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo. Os dois respondiam perguntas sobre o veto de Lula ao PL da Dosimetria — derrubado horas antes pelo Congresso por 318 a 144 na Câmara e 49 a 24 no Senado.
Barros, assessor do deputado André Janones (Rede Sustentabilidade-MG), chegou por trás de Cabo Gilberto no momento em que o oposicionista respondia sobre a recusa da oposição em instaurar a CPMI do Banco Master. A reação do parlamentar foi imediata. Após a entrevista, Barros foi abordado e encaminhado à Polícia Legislativa da Câmara.
A entrevista invadida tratava justamente do resultado histórico daquele dia: a Câmara havia derrubado, por 318 a 144, o veto de Lula ao PL da Dosimetria — placar que superou em 61 votos o mínimo exigido. Leia mais sobre a votação na Câmara.
A manobra de Alcolumbre
Para evitar conflito com a Lei Antifacção, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, retirou da votação um trecho do projeto que facilitava a progressão de regime para condenados por crimes graves — como feminicídio e crimes hediondos. A manobra incomum funcionou como um “desmembramento” do veto integral de Lula, permitindo derrubar o texto sem reintroduzir a parte mais polêmica.
Lindbergh Farias, um dos entrevistados no momento da invasão, já havia classificado a derrubada do veto como um “golpe comandado por Alcolumbre” — fala que alimentava o debate interrompido pelo assessor. Saiba mais sobre as acusações do governo.
Oposição cobra investigação e denuncia aparelhamento
Em nota, Cabo Gilberto Silva classificou o episódio como “ato de covardia e desrespeito” e cobrou explicações sobre como Barros chegou ao cargo público. “Como um indivíduo com esse perfil chegou a ocupar um cargo dentro da Câmara? Quem o indicou? Quem o protegia?”, questionou o líder da oposição, que também elogiou a reação de Hugo Motta, mas advertiu que a exoneração “é o mínimo”.
O parlamentar alertou para o que chamou de “aparelhamento da máquina” contra a oposição, citando ainda os escândalos do Banco Master e da fraude no INSS como pano de fundo da crise política em curso.
O episódio se soma a uma semana turbulenta para o governo: na quarta-feira (29), o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF — a primeira vez desde 1894 que um indicado ao Supremo foi barrado pelo Congresso.
Com a lei encaminhada para promulgação, cabe agora ao STF decidir se a nova dosimetria é constitucional. O PT já anunciou recurso. Entenda o próximo capítulo da disputa.
O PL da Dosimetria pode beneficiar ao menos 190 condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, segundo o ministro Alexandre de Moraes. Entre os potenciais beneficiários está Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses por tentativa de golpe — especialistas estimam que ele pode mudar de regime em dois a quatro anos após a vigência da nova lei.
