O petróleo voltou a subir nesta segunda-feira (27) após o travamento das negociações entre Estados Unidos e Irã — com Trump cancelando a viagem de seus enviados e declarando que Teerã pode ligar quando estiver pronta para negociar.
O barril Brent avançava 0,9%, a US$ 106,29 por volta das 12h12 (GMT), chegando a bater US$ 108,36 mais cedo — o maior nível em três semanas. O WTI subia 0,7%, a US$ 95,03.
O Estreito de Ormuz segue amplamente fechado por Teerã, enquanto Washington mantém um bloqueio naval aos portos iranianos. O tráfego pela rota estratégica permanece reduzido: segundo dados da Kpler, apenas um navio-tanque de derivados entrou no Golfo no domingo (26).
O impasse no fornecimento já se refletia nos preços desde a semana passada, quando Brent e WTI acumularam altas de quase 17% e 13%, respectivamente — os maiores ganhos semanais desde o início do conflito.
Fontes do Paquistão, que atua como mediador entre os dois países, afirmam que as tentativas de aproximação continuam, mesmo após o fracasso das conversas presenciais. Trump optou por cancelar o voo de seus representantes e colocou a iniciativa do contato na mão iraniana.
O colapso das negociações em Islamabad, em meados de abril, foi o gatilho que empurrou o Brent acima de US$ 100 pela primeira vez desde o início da guerra e levou Trump a anunciar o bloqueio naval ao Estreito de Ormuz.
Diante do cenário de oferta restrita, o Goldman Sachs revisou para cima suas projeções para o quarto trimestre: US$ 90 por barril para o Brent e US$ 83 para o WTI, citando a redução da produção no Oriente Médio.
“Os riscos econômicos são maiores do que nosso cenário-base indica, devido à tendência de alta nos preços do petróleo, aos preços elevados de derivados, ao risco de escassez e à escala sem precedentes desse choque”, alertaram analistas liderados por Daan Struyven em relatório divulgado no domingo (26).
Na semana passada, o Irã reverteu a promessa de reabrir o Estreito de Ormuz e Trump confirmou que o bloqueio naval seguia em vigor — movimento que antecede diretamente o atual impasse diplomático e pressiona os mercados a precificar uma prolongação do conflito.
